domingo, 29 de abril de 2007
Discípulos e missionários
O tema oficial da V Conferência, apontado pelo Papa Bento XVI, é Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que n’Ele nossos povos tenham vida – “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6).
Segundo o Documento de Participação da Conferência de Aparecida, distribuído às Igrejas locais para que dessem suas contribuições, o encontro com Jesus Cristo é a raiz e o ápice da vida da Igreja e o fundamento do discipulado e da missão.
“A V Conferência nos oferece uma nova oportunidade para refletir sobre a profundidade de nosso encontro com Jesus Cristo vivo; e para perguntar em nossas comunidades a respeito da transformação de nossa vida que o Espírito do Senhor realizou em nós pelo encontro com Jesus, a respeito da coerência de nossa identidade católica e da autenticidade de nossa vida cristã, e a respeito da intensidade de nosso ardor missionário, examinando se anunciamos e damos testemunho daquele que é o Caminho e a Vida para aqueles que estão distantes dele ou ainda não o conhecem, embora o busquem.” [59]
O cardeal Cláudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero, em um livro intitulado “Discípulos e missionários de Jesus Cristo” [60], explica que a atitude fundamental do discípulo é ouvir. «Sentar-se diante do Mestre e ouvir, como que extasiado. Ouvir de coração aberto. Sem barreiras, deixar-se invadir pelas palavras do Mestre». [61]
Segundo o prefeito da Congregação para o Clero, nós somos discípulos de Jesus desde o nosso batismo. «Fomos levados à pia batismal, quase todos ainda na fase de crianças recém-nascidas. Ali tornamo-nos filhos de Deus e discípulos de Cristo. Começamos a ouvir falar dele, ainda nos joelhos de nossos pais. Num daqueles dias da nossa primeira infância, nossa mãe ou nosso pai nos mostrou o crucifixo da casa e disse: “Este é Jesus”. Foi um momento extraordinário em que pela primeira vez fomos apresentados pessoalmente a Ele». [62]
«Portanto --afirma o cardeal--, para sermos missionários e missionárias, hoje, será importante reavivar em nós o ser discípulo de Jesus. Isso significa sentar-nos diante dele e ouvi-lo. Deixar-nos encantar por Ele. Abrir-nos e deixar-nos invadir por Ele. Ouvi-lo como se fosse a primeira vez que temos a felicidade de estar com Ele e ouvi-lo. Deixar que o estupor e o assombro pela sua pessoa, suas palavras e atitudes inundem nosso coração. Deixar-nos envolver de novo pessoalmente com Ele e com seu projeto de salvação do mundo. Isso significará que, ouvindo a Jesus Cristo, teremos de ouvir também com Ele a realidade humana, os seres humanos e todos os seus dramas, sofrimentos, esperanças e aspirações». [63]
Já o secretário-geral da V Conferência, Dom Andrés Stanovnik, O.F.M. Cap., bispo de Reconquista (Argentina) e secretário-geral do CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano), falou em entrevista exclusiva a Zenit sobre o tema da Conferência de Aparecida.
«A dinâmica das relações entre as pessoas responde a aspectos profundos da natureza humana. Jesus Cristo, ao assumi-la e redimi-la, outorgou-lhe beleza e transcendência. O autêntico encontro humano leva sempre à abertura e à missão. Por isso, o discípulo que se encontra com Jesus Cristo se transforma em discípulo missionário. Não pode existir um autêntico discípulo que não seja missionário, como tampouco pode o ser humano amadurecer se não se abre aos demais. O crente experimenta que sua condição humana se transforma e enriquece pelo encontro com Jesus Cristo vivo. O tema de Aparecida é um convite a viver a experiência desse encontro e abrir-se à missão», afirmou o bispo. [64]
Segundo Dom Andrés Stanovnik, «o Santo Padre Bento XVI nos entregou o tema da V Conferência, e a primeira parte do tema diz: ‘Discípulos e missionários de Jesus Cristo’. É um forte chamado às Igrejas que peregrinam pela América Latina e pelo Caribe a encontrarem-se mais intensamente com Jesus Cristo. A Igreja, esposa de Cristo, está chamada, através do acontecimento da V Conferência, a encontrar-se mais com Ele». [65]
«Nesse sentido --destaca o secretário-geral da V Conferência--, o encontro de Aparecida é um novo impulso do Espírito Santo à Igreja, para que se encontre mais com seu Senhor e, transformada por Ele, seja mais missionária. A Igreja não pode ser missionária se não é discípula, se não renova constantemente a atitude de colocar-se como discípula diante de seu Senhor e Mestre. Para que os discípulos e discípulas sejam verdadeiros missionários, devem voltar sempre aos pés do Mestre, para estar com Ele, aprender dele, e entrar em profunda amizade e comunhão de vida com Ele.» [66]
«A missão se destaca na frase seguinte do tema de Aparecida: ‘para que n’ Ele nossos povos tenham vida’. Esta frase expressa a finalidade da Igreja: ela existe para a missão. Por isso, todo discípulo e discípula na Igreja está chamado a ser missionário. Daí também surge o motivo que reúne aos bispos na V Conferência, é a evangelização do continente em tempo atual», explicou o bispo. [67]
O hino "Bem-vindo o que vem em nome do Senhor", composto especialmente para homenagear o pontífice, será cantado pelo coral de mil vozes.
A música foi composta pelo frei Luiz Sebastião Turra, pároco da igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, com base na primeira carta de Bento XVI após ter sido nomeado Papa, cujo tema é Deus é amor.
O hino está sendo apresentado nas missas celebradas no Santuário Nacional de Aparecida e nas paróquias de todo o Brasil.
(Terra)
Coral de mil vozes cantará para o Papa em Aparecida
Um coral com mil vozes vai cantar para o Papa Bento XVI durante a missa campal celebrada pelo pontífice no pátio do Santuário Nacional de Aparecida, no dia 13 de maio.
O grupo é formado por cantores voluntários de diversas cidades do Vale do Paraíba e por grupos de corais católicos que fazem apresentações nas dioceses das cidades vizinhas de Aparecida.
No dia 13 de maio, o Papa abrirá, na Basílica Nacional, a 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino Americano e Caribe. São esperadas para o evento cerca de 500 mil pessoas.
De acordo com o maestro do Santuário Nacional, Ismael Floreano, os ensaios do coral começaram no início de fevereiro, com a participação de 700 pessoas. As 300 vagas restantes foram preenchidas em março com integrantes de corais de três cidades vizinhas de Aparecida.
O grupo ensaia quatro vezes por semana, na capela de São José, no interior da Basílica Nacional. São duas horas diárias de preparação.
Floreano disse que o coral com mil vozes foi um pedido da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), à administração do Santuário Nacional. "Alguns membros da CNBB visitaram Aparecida para confirmar se seria possível e se haveria infra-estrutura para a formação do coral para animar a missa", afirmou o maestro.
O coral do Santuário Nacional conta com 50 voluntários e se apresenta nas missas televisionadas, aos domingos e em datas especiais, como o 12 de outubro, dia da Padroeira.
O coral será acompanhado pela Orquestra do Projeto Pemsa (Pequenos Músicos do Santuário Nacional), composto por 60 jovens com idades entre 12 e 18 anos, moradores de cidades vizinhas a Aparecida como Guaratinguetá, Roseira, Potim e Lorena.
sábado, 28 de abril de 2007
Polícia Rodoviária monta esquema na Dutra para visita do papa
Simone Menocchi
TAUBATÉ
- As Polícias Rodoviárias Federal e Estadual montaram uma
operação especial para que a via Dutra não fique
congestionada no final de semana da visita do papa em Aparecida, no
Vale do Paraíba. Bento XVI vai estar no município entre
os dias 11 e 13 de maio durante a abertura da Conferência Geral
dos Bispos da América Latina e Caribe.
A Polícia Rodoviária Estadual está preparando um
esquema utilizando as estradas estaduais que ligam a região ao
sul de Minas, Rio de Janeiro e São Paulo. A SP 62, antiga
Rio-São Paulo, será usada como solução caso
a via Dutra fique congestionada. O efetivo e a frota de viaturas
serão reforçados com policiais da capital e de outras
partes do Estado de São Paulo.
A entrada de ônibus e caminhões pelo quilômetro 71 da
via Dutra será proibida. Por esse acesso serão permitidos
somente carros de passeio e motos. Os ônibus que
estacionarão nos espaços destinados pela prefeitura,
terão que entrar pelos quilômetro 74, para quem vem de
São Paulo ou pelo quilômetro 67, para quem chega do Rio de
Janeiro e do sul de Minas Gerais.
Em Aparecida a prefeitura abriu 2 mil vagas para ônibus em
bolsões de estacionamento e há outras 1.500 em terrenos
particulares. O problema é que nem todas as vagas do
estacionamento no entorno do Santuário Nacional poderão
ser usadas, já que o pátio será tomado pelos
fiéis, principalmente para a missa das 10 horas do dia 13 de
maio.
Segundo a prefeitura, caso as vagas de Aparecida não sejam suficientes
os ônibus devem ser encaminhados para estacionamentos em
Guaratinguetá e Potim. No domingo da missa rezada pelo papa
estão sendo esperadas cerca de 500 mil pessoas em Aparecida.
Nas estradas estaduais e na Dutra a fiscalização será
reforçada. Somente na via Dutra serão colocados cerca de
200 patrulheiros, 50 viaturas, 35 motos, além de três
Unidades de Terapia Intensiva.
Veja a programação completa da visita do papa
Confira a programação completa da visita que o papa Bento 16 fará a São Paulo, Aparecida e Guaratinguetá entre 9 e 13 de maio.
Quarta-feira, 9 de maio
16h30
- papa chega a São Paulo
- Cerimônia de boas vindas, ainda no aeroporto.
- Discurso
17h30
- Sai do aeroporto de Guarulhos de helicóptero em direção ao aeroporto Campo de Marte.
18h
- Chega ao aeroporto Campo de Marte, onde se encontra com autoridades locais
18h10
- Vai de papamóvel para o Mosteiro de São Bento, onde passa a noite
18h45
- Chega ao Mosteiro.
- Aparece na sacada para saudar os fiéis presentes
Quinta-feira, 10 de maio
8h
Reza uma Missa privada na capela do Mosteiro
10h30
- Vai de carro do Mosteiro de São Bento para o Palácio dos Bandeirantes
11h
- Chega ao Palácio dos Bandeirantes, onde faz uma visita de cortesia ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
12h
- Volta de carro do Palácio dos Bandeirantes para o Mosteiro de São Bento
12h30
- Chega ao Mosteiro, onde se encontra com representantes de outras religiões, entre eles o Rabino Henry Sobel
13h15
- Almoça com a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e sua comitiva, no Mosteiro de São Bento
17h30
- Vai de carro ao Estádio Municipal do Pacaembu
17h50
- Chega ao estádio, onde se encontra com jovens católicos
18h
- Discurso
20h
- Volta de carro ao Mosteiro de São Bento, onde passa a noite
20h30
- Chega ao Mosteiro
Sexta-feira, 11 de maio
8h30
- Vai de carro ao aeroporto Campo de Marte, onde realiza uma Missa e a canonização de Frei Galvão.
9h
- Chega ao Campo de Marte, onde anda, de papamóvel, entre os fiéis.
9h15
- Chega à sacristia junto ao palco onde a Missa será realizada
9h30
- Início da missa
- Homilia do papa
11h45
- Volta à sacristia
12h
- Volta de carro ao Mosteiro de São Bento
12:15h
Chega ao Mosteiro
15h40
- Cerimônia de despedida do Mosteiro de São Bento
15h45
- Vai de carro aberto à Catedral da Sé, onde encontra os Bispos do Brasil.
16h
- Chega à Catedral
- Discurso
17h15
- Vai de papamóvel ao aeroporto do Campo de Marte
17h45
- Chega ao Campo de Marte, onde é recebido por autoridades locais
18h
- Vai de helicóptero para Aparecida
19h
- Chega ao Santuário de Aparecida, onde é recebido por autoridades locais
- Vai de carro aberto ao Seminário "Bom Jesus" de Aparecida, onde passa a noite
19h30
- Chegada ao Seminário
Sábado, 12 de maio
8h
- O papa reza uma missa privada na Capela do Seminário "Bom Jesus".
9h30
- Vai de carro à Fazenda da Esperança, em Guaratinguetá
10h30
- Chega à Fazenda da Esperança
10h45
- Encontra-se com a comunidade da fazenda
- Discurso
11h45
- Volta de carro ao Seminário "Bom Jesus", em Aparecida
12h45
- Chega ao Seminário, onde almoça com a presidência da 5ª Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe
17h45
- Vai de carro aberto ao Santuário de Aparecida
18h
- Chega ao Santuário
- Reza do Santo Rosário e encontra-se com sacerdotes, religiosos, seminaristas e diáconos na Basílica do Santuário
19h30
- Volta de carro ao Seminário de Bom Jesus, onde passa a noite
19h45
- Chega ao Seminário
Domingo, 13 de maio
9h15
- Vai de carro abeto ao Santuário de Aparecida
9h30
- Passeia de carro aberto entre os fiéis
9h45
- Chega à Sacristia junto ao pórtico do Santuário de Aparecida
10h
- Reza a Missa de inauguração da 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe na praça em frente ao Santuário de Aparecida
- Homilia do papa
- Reza do Regina Coeli
- Palavras do papa
12h15
- Volta à Sacristia
12h30
- Volta de carro ao Seminário "Bom Jesus"
12h45
- Chega ao Seminário
15h45
- Vai de carro à Sala de Conferência do Santuário de Aparecida
16h
- Chega ao local, onde participa da sessão inaugural dos trabalhos da 5ª Conferência
- Discurso
17h30
- Volta de carro ao Seminário "Bom Jesus"
17h40
- Chega ao Seminário
18h20
- Cerimônia de despedida do Seminário de "Bom Jesus", em Aparecida
18h30
- Vai de carro ao heliporto do Santuário de Aparecida
18h40
- Chega ao heliporto, onde se despede das autoridades locais
18h50
- Vai de helicóptero ao aeroporto de Guarulhos
19h40
- Chega ao aeroporto, onde realiza uma cerimônia de despedida
- Discurso
20h15
- Volta para Roma
A Conferência de Aparecida
28/04/2007
Em maio próximo, ocorrerá a V Conferência Geral do Episcopado da América
Latina e do Caribe na cidade de Aparecida (SP), que contará em sua
abertura com a presença do papa Bento XVI, que faz assim sua primeira
visita ao Brasil. O tema da Conferência em tela é "Discípulos e
missionários de Jesus Cristo para que nele nossos povos tenham vida".
O objetivo desta reflexão é expor o que se espera desta
Conferência; elencarei duas expectativas porque julgo como centrais
para o nosso contexto.
Vamos tomar como ponto de referência para esta contribuição o
documento de participação (DP), publicado conjuntamente pelo Celam,
CNBB, Paulus e Paulinas, do ano de 2005, que serviu de fonte para as
contribuições das várias Conferências Episcopais Nacionais, emergindo
daí o Instrumento de Trabalho que será utilizado durante a Conferência.
Como primeira expectativa, faço alusão ao nº 41, do DP, que afirma:
"Na Exortação Apostólica Ecclesia in América, o papa João Paulo II nos
mostrou que 'o encontro com Jesus Cristo vivo' é o ponto de partida de
toda ação pastoral. No hoje de nossa América, ele ilumina nossa vida e
todo o trabalho evangelizador. É assim que a preparação para a V
Conferência Geral é uma ocasião propícia para fazer um profundo
discernimento a respeito da qualidade de nossa vida, das celebrações
litúrgicas, do trabalho catequético, da ação social e solidária,
perguntando-nos se elas levam ao encontro vivo com Jesus, se o
celebram, se o prolongam e se o anunciam aos que estão longe dele ou
não o conhecem" (os grifos são meus).
A segunda expectativa decorre de uma orientação contida no
Documento Conciliar sobre a Igreja (Lumen Gentium, nº 8b) que diz:
"Assim como Cristo consumou a obra da redenção na pobreza e na
perseguição, assim a Igreja é chamada a seguir o mesmo caminho a fim de
comunicar aos homens os frutos da salvação... Cristo por nossa causa
'fez-se pobre embora fosse rico' (2 Cor 8,9): da mesma maneira a
Igreja, embora necessite dos bens humanos para executar sua missão, não
foi instituída para buscar a glória terrestre, mas para proclamar,
também pelo seu próprio exemplo, a humildade e a abnegação".
Tenho a impressão de que a qualidade de vida do povo da América
Latina e do Caribe não expressa a dignidade que mereça o título de ser
"imagem e semelhança de Deus". Todos já conhecem qual a realidade deste
povo alegre e sofrido e quanto bem se fará a este povo se a Igreja
acentuar a sua presença pública na defesa da vida.
Decorrente desta opção, do posicionamento da Igreja em todos os
níveis: Institucional, da Igreja que se constrói na base, das
Paróquias, das Áreas Pastorais emergirá esta identidade que Lumen
Gentium faz referência, ou seja, uma Igreja que é perseguida porque
profética, uma Igreja pobre porque radicaliza a sua fidelidade ao
Evangelho e que também é um patrimônio da Igreja primitiva.
Neste sentido é bom lembrar aqui a mais radical tradição da Igreja
(como modelo eclesiológico se deu a partir da Igreja primitiva) que, na
fidelidade ao Evangelho, foi-se construindo na perseguição. Isto nos
confirma o livro dos Atos dos Apóstolos. Entre algumas de suas
citações, que poderiam ser muitas e que aparecem, sobretudo neste
período imediato ao domingo da ressurreição, cito At. 4,
16-17;23-24;29: "O que vamos fazer com esses homens? Eles realizaram um
milagre claríssimo e o fato tornou-se de tal modo conhecido por todos
os habitantes de Jerusalém, que não podemos negá-lo. (...) Contudo, a
fim de que a coisa não se espalhe ainda mais entre o povo, vamos
ameaçá-los para que não falem mais a ninguém a respeito do nome de
Jesus". "Logo que foram postos em liberdade, Pedro e João voltaram para
junto dos irmãos e contaram tudo o que os sumos sacerdotes e os anciãos
haviam dito. (...) Ao ouvirem o relato, todos eles elevaram a voz a
Deus dizendo: Agora, Senhor, olha as ameaças que fazem e concede que os
teus servos anunciem corajosamente a tua palavra".
A dedução lógica, textual e histórica comprova que os cristãos da
primeira hora incomodaram e, por isso, sofreram ameaças e perseguições.
Será este um critério que deve ser concretizado em todas as épocas? É
evidente que tudo isto se faz dentro de um espírito evangélico, com
base no diálogo, com determinação, com a liberdade de quem se sente à
vontade para defender aqueles e aquelas que se calam ou são
silenciados.
Feliz Páscoa!
PADRE ALMIR MAGALHÃES é sacerdote da arquidiocese de
Fortaleza, reitor do Seminário Arquidiocesano São José - Filosofia, e
mestre em Missiologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.
Ministério libera R$ 200 mil para sinalização em Aparecida
SÃO PAULO - O Ministério do Turismo autorizou na sexta-feira, 27, o repasse
de R$ 200 mil para a implantação de placas de sinalização turística em
Aparecida (SP). Nos dias 12 e 13 de maio, a cidade receberá a visita do
papa Bento XVI.
"Estamos investindo em Aparecida, assim como em outros destinos religiosos", diz
o secretário de Programas de Desenvolvimento do Turismo do Ministério
do Turismo, José Evaldo Gonçalo, em nota à imprensa. "A liberação da
para execução da sinalização turística é de grande importância, visto
que a visita do papa vai provocar um aumento do fluxo de turistas na
cidade. Mas a obra é para sempre, já que Aparecida é o local de maior
acesso de turismo religioso no Brasil".
O objetivo é que a sinalização esteja pronta antes da chegada do papa
Bento XVI. "Estamos trabalhando para que os turistas que ficarem nos
arredores de Aparecida tenham mais facilidade para se movimentar",
afirma o chefe de gabinete da Prefeitura, Eduardo Elache.
Segundo o Ministério do Turismo, a implantação das placas é o terceiro projeto
de infra-estrutura turística na cidade desde 2005, quando foram
liberados R$ 100 mil para a construção de um calçadão no centro do
município. No ano passado, foi aprovada a construção do portal da
cidade, obra no valor de R$ 200 mil.
Conforme o ministério, Aparecida recebe uma média de 200 mil turistas por
semana, número que chega a cerca de um milhão nos período de outubro a
dezembro.
Papa vai falar a 2 mil dependentes de drogas em Guaratinguetá
Sexta-feira 27 de Abril, 2007 6:34 GMT136
Por Terry Wade
GUARATINGUETÁ (Reuters) - No extremo de um vale estreito, a apenas 15 quilômetros da Basílica de Aparecida, dependentes de drogas em recuperação trabalham no campo, numa fazenda que receberá em maio a ilustre visita do papa Bento 16.
Fundada por freis franciscanos há 25 anos, a Fazenda Esperança recebe dependentes de crack, cocaína e heroína de todo o Brasil e até de outros países, como a Rússia, para estadas de até um ano para se livrar do consumo de drogas.
Oitenta por cento dos pacientes permanecem "limpos" depois de deixar a instituição, e a alta taxa de sucesso permitiu aos padres que fundaram a fazenda abrir outros 30 projetos semelhantes no Brasil e mais dez no restante do mundo, do México às Filipinas.
A receita do tratamento consiste em acordar cedo, ter uma breve conversa matutina sobre uma citação da Bíblia, trabalhar várias horas, receber uma boa alimentação e rezar no fim do dia. Tanto a hospedagem quanto o tratamento são gratuitos.
"Estamos abertos a todas as religiões. A única coisa que é preciso fazer é concordar em entrar no espírito de família e de amor", disse Hans Stapel, um padre alemão robusto de 61 anos que dirige o projeto e gosta de usar sandálias, calças cáqui e camisas com estampas tropicais.
"Aqui se vive de acordo com a Bíblia, mas ela não é estudada. A interpretação da doutrina causa discussões, mas viver dentro dos ensinamentos da Bíblia não causa."
Dependendo de o centro de tratamento ficar numa fazenda ou numa cidade, os pacientes trabalham em cozinhas produzindo comida congelada, fábricas que fazem móveis para escritórios com plástico reciclado ou cuidando de pomares e cavalos. O dinheiro arrecadado com a venda dos produtos sustenta os centros.
Para abrir novas instituições, os padres dependem de doações de terras ou construções, de uma rede de voluntários e da ajuda do bispo local.
Stapel e sua equipe convidaram o papa para visitar a fazenda durante sua estada em Aparecida, em maio. As autoridades municipais estão correndo para ajeitar a cidade para a chegada do pontífice e, depois de anos, asfaltaram a estrada de terra que leva ao centro.
"Vamos sempre dizer que o papa é o melhor prefeito que Guaratinguetá já teve", brincou Nelson Giovanelli Rosendo dos Santos, 44, um franciscano da fazenda.
Guaratinguetá também é a cidade natal de frei Galvão, que o papa canonizará como o primeiro santo brasileiro durante a visita.
No dia 12 de maio, o papa vai falar a 2.000 dependentes em recuperação que vão viajar para a fazenda vindos de outros centros de tratamento do grupo franciscano. Isso significa que o discurso do papa será traduzido para o espanhol, o alemão, o russo, o inglês e o tagalo (língua falada nas Filipinas).
Marcelo Cardoso, 29, concluiu o programa de tratamento há três anos e hoje trabalha em tempo integral na fazenda como voluntário. Dias antes da chegada do papa, ele disse estar pensando em se tornar padre.
"O que eu quero agora que estou aqui de volta é descobrir qual será minha vocação", disse ele.
Bento XVI repousará em aposentos simples
Bento XVI repousará em aposentos simples
Os aposentos onde Bento XVI ficará em São Paulo e em Aparecida estão quase concluídos. A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis participou das adaptações das instalações do mosteiro de São Bento
28/04/2007 01:58
PAPA BENTO XVI terá pernoites em São Paulo e em Aparecida, durante sua visita (Foto: Vincenzo Pinto/AFP)
O papa Bento XVI ficará hospedado em instalações simples no mosteiro de São Bento, em São Paulo, onde o chefe da Igreja Católica passará duas noites entre os dias 9 e 11 de maio. A cama que será usada pelo sumo pontífice será de solteiro e mede 1,78 metro por 0,88. O chuveiro é elétrico e o ar-condicionado foi doado. A cabeceira e os criados-mudos foram desenhados pelo monge dom Eduardo Uchoa Fagundes e confeccionados por um artesão.
Bento XVI também terá à sua disposição uma sala de visitas onde funcionava a sala de música dos monges. O piano será mantido no local, e sofás e cadeiras do próprio mosteiro farão parte da mobília. Toda a preparação dos aposentos do santo padre e de mais 14 celas da clausura onde sua comitiva vai ficar foi coordenado pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de São Paulo (Abih-SP), que se ofereceu espontaneamente.
A entidade contratou o arquiteto Sérgio de Oliveira, especializado em projetos hoteleiros de retrofit (técnica utilizada para colocar um ambiente antigo em boa forma). A associação também contribuiu na orientação da governança que irá servir à comitiva papal durante a estada no mosteiro.
Segundo o presidente da ABIH-SP, Maurício Bernardino, é a primeira vez que a entidade presta esse tipo de serviço. A Arquidiocese de Aparecida também apresentou o quarto que Bento XVI ocupará no seminário do Bom Jesus. O quarto, de 45 metros quadrados e o banheiro com mais 12 m, conta com uma cama, armário, mesa para reunião e poltrona. O pontífice chegará a São Paulo dia 9 de maio.
Segundo o arquiteto responsável pela reforma, Ricardo Julião, a suíte do santo padre é simples e confortável. Ainda falta colocar uma cortina e dois tapetes. Apesar de o Vaticano não ter solicitado, o arquiteto instalou um aparelho de ar-condicionado no quarto. Um dos quartos anexos à suíte de Bento XVI foi transformado em capela para o papa celebrar suas missas particulares. A capela tem 18 m e foi foi decorada pelo artista plástico Cláudio Pastro. (Folhapress)
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Investimento: Globo monta estúdio de vidro para c...
Redação Portal IMPRENSA
A TV Globo vai montar um estúdio de vidro, semelhante aos usados nas transmissões de Carnaval, para que Ana Maria Braga apresente, ao vivo, uma edição do "Mais Você" no Campo de Marte (zona norte de São Paulo), onde Sua Santidade o papa Bento XVI rezará uma missa, prevista para começar às 9h30, no próximo dia 11, em sua visita ao Brasil.
O estúdio terá 81 m² de área e estará a três metros do chão, no meio da multidão que assistirá à missa. Uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, que chega de Portugal na semana que vem, fará parte do cenário do estúdio de vidro da católica TV Globo.
Na véspera, dia 10, o programa de Ana Maria Braga também será religioso, dedicado a frei Galvão, que será canonizado pelo papa na missa do dia 11. O material produzido pelo programa durante toda a cobertura poderá, eventualmente, ser reproduzido por outra TV.
No dia 11, a Globo apresentará flashes do Campo de Marte já na madrugada, mostrando a chegada dos fiéis. A missa do papa dominará os telejornais. Os profissionais do "Mais Você" ficarão encarregados da cobertura emocional e comportamental do evento.
Delegado da PF será o agente mais próximo do pap...
Pronto para dar a vida por Bento XVI, Flávio Trivella foi escolhido para exercer a função de mosca ou sombra do papa; há pouco mais de um mês, desempenhou papel semelhante na visita de Bush
Marcelo Godoy / Marcio Fernandes/AE - 24/12/06
SÃO PAULO - O católico Flávio Luiz Trivella não pode responder tudo o que lhe perguntam sobre a visita do papa Bento XVI ao Brasil. Razões de segurança o impedem. Não pode, por exemplo, dizer se o papa usará colete à prova de balas.
Trivella, que é delegado da Polícia Federal, estará mais próximo de Joseph Ratzinger do que a maioria dos hierarcas da Igreja. O que lhe permitirá esse acesso ao líder espiritual de sua religião é o fato de ele ter sido escolhido para exercer uma função especial: a de mosca ou sombra do papa.
Se algo der errado e um fanático atentar contra Ratzinger, ele é que salvará Bento XVI, retirando-o dali ou protegendo-o com o próprio corpo e vida. Não que isso seja algo novo na vida de Trivella. Há pouco mais de um mês, o delegado desempenhou função semelhante para um alvo muito mais visado: o presidente americano George Bush.
"Ele elogiou muito o nosso trabalho e me deu um bóton da presidência”, revela com orgulho o policial. O homem de 44 anos mostra preocupação ao falar sobre seu trabalho. "Terei a visão de onde o papa estiver que me permitirá enxergar todos os pontos frágeis que devem ser sanados."
Como sua função já diz, ele ficará sempre nas costas do papa a pé e no papamóvel. "Não podemos ser tão ostensivos como no caso do Bush. No caso do papa, a segurança tem de existir mas não pode ser aparente."
Outros cinco agentes federais estarão constantemente com Bento XVI. Um deles será o motorista do papamóvel. Os outros quatro acompanharão Trivella nos deslocamentos a pé do papa. "Haverá um módulo em forma de losango em torno de Sua Santidade deslocando-se com o papa sem atrapalhá-lo. Todos os agentes foram escolhidos a dedo."
Os federais terão a companhia nesse trabalho de quatro homens da Guarda Suíça que devem acompanhar o papa no Brasil - Bento XVI trará 15 deles a São Paulo.
Comando do esquema de segurança
Além de ser a sombra do papa, Trivella comandará todo o esquema de 400 homens da PF durante a visita. É o chefe do Núcleo de Proteção a Dignitários da Superintendência de São Paulo da PF.
Há quatro anos no setor, o delegado, além de Bush, conta que já protegeu, entre outros, o Dalai Lama, o ex-presidente americano Bill Clinton, o primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi. Exibe em seu currículo cursos no Serviço Secreto Americano, que cuida da segurança presidencial, e na inteligência japonesa.
Antes de ser delegado federal, Trivella foi por 15 anos policial civil. Desde dezembro, está envolvido no planejamento da visita do papa, o que ele considera "uma honra".
A honra fez com que ele fosse o homem que tem a chave de cada detalhe da visita: do credenciamento de autoridades aos locais onde estarão os atiradores de elite. "Não posso dizer onde nem quantos."
Nos últimos meses, preocupou-se com o número de homens em cada deslocamento de Ratzinger em São Paulo e quais armas os agentes devem usar (“serão modernas”). Planejou cada uma das varreduras em busca de explosivos e armas no Estádio do Pacaembu e no Campo de Marte e as revistas com aparelhos de raio X de autoridades brasileiras, jornalistas e até cardeais da Igreja. Nem um canivete pode passar. Em suma, um trabalho que sempre conta com o pior. "É minha função."
A visita do papa
Os brasileiros, especialmente os católicos, esperam com grande expectativa e esperança a visita do papa Bento 16 ao Brasil no próximo mês, de 9 a 13 de maio. Os preparativos têm a participação do clero, do Vaticano, de leigos e de autoridades, e demonstram um apreço que Sua Santidade soube granjear em seu curto pontificado. Trata-se da visita daquele que sucede ao próprio Cristo na condução do barco da Igreja, de um chefe de Estado que, como seu antecessor, o papa João Paulo 2º, viaja em missão de paz e quer difundir valores que precisam ser preservados na sociedade moderna, hoje tão ameaçada e conturbada pelos ódios, as incompreensões, os preconceitos e as guerras.
Segundo a experiente diplomata na Santa Sé, Vera Machado, não haverá temas proibidos. E um tema que deverá ser abordado diz respeito aos valores da família e da preservação da vida. Nessas mensagens, portanto, a questão do aborto, cujo debate cresce dentro do governo, poderá estar incluída. A visita faz parte de um reforço dos trabalhos da Igreja pela evangelização na região. “A Igreja quer estar presente nos bolsões de pobreza, nas periferias, inclusive para evitar que busquem alternativas espirituais”. E não esconde a preocupação com a proliferação de igrejas evangélicas no país. O papa, apesar de tratar de temas políticos, virá ao Brasil com metas pastorais bem claras. “A questão da pobreza e da luta para erradicá-la é uma preocupação permanente para Bento 16, assim como os direitos humanos”. A escolha por nosso país revela que o Vaticano vê, de fato, o país como uma prioridade no esforço da Igreja pela evangelização. O resultado da Quinta Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe no Brasil, a se realizar em Aparecida do Norte, será “vitrine” para os demais países.
A canonização do beato frei Galvão, primeiro santo brasileiro, constituirá o ponto alto de sua visita, e deverá reunir em São Paulo uma multidão de fiéis devotos do frade humilde, criador das famosas “pílulas evangélicas”.
Logo que assumiu seu pontificado, Bento 16 enfrentou oposições e preconceitos que o situavam como conservador tradicional e radical. Antes de ser papa, ele trabalhou ao lado de João Paulo 2º como prefeito da Congregação da Fé, cuja função era zelar pela ortodoxia católica. Nessa função e de maneira coerente com a doutrina da Igreja, ele silenciou os religiosos progressistas brasileiros, Leonardo Boff e o bispo emérito de S. Félix do Araguaia, dom Pedro Casaldáliga, depois de um longo processo de escuta e averiguação quanto às posturas que contradiziam o sentido do verdadeiro cristianismo, especialmente nos quesitos de fidelidade, obediência e promoção da paz.
Agradar a gregos e troianos é a linha adotada pelos omissos e largamente utilizada pelos políticos de má-fé. A Igreja não segue esta linha e não poderá concordar nunca com os desvios da sã doutrina e das leis contrárias aos princípios sábios e eternos do Evangelho.
Nossas mudanças culturais, contudo, estão fora das dimensões e das referências quanto ao que é certo ou errado. As pessoas, sob a alegação de liberdade e de autonomia querem fazer o que bem entendem, abandonando os parâmetros de comportamento ético e passando para o extremo oposto de repudiar tudo quanto interfere em sua liberdade, muitas vezes já esfacelada e transformada em libertinagem e escravidão do pecado. Todo aquele, portanto, que representa uma ameaça ao seu modo de viver, contrariando seus propósitos, será sempre atacado e vitimado pelas distorções e as injustiças. Em seu tempo, Cristo se colocou ao lado da verdade e dos sem vez nem voz contra o autoritarismo, a injustiça e o farisaísmo de um sistema viciado e carente de valores. Hoje, igualmente, Ele também seria de novo condenado e crucificado.
Sua primeira encíclica, Deus Caritas Est, publicada logo após a investidura pontificia, cujo tema Amor, Eros e Ágape, hoje tão explorado e deturpado, nos traz uma reflexão profunda e surpreendente, abriu- lhe o prestígio e a consideração dos mais céticos. Trata-se de um homem de Deus, firme e coerente em suas deliberações e atitudes, amplamente afinadas com suas convicções quanto à enorme responsabilidade pastoral que lhe pesa sobre os ombros, na atual conjuntura do mundo. Um mundo, hoje, dividido entre uma sociedade que crê em Deus e outra que não crê, esta última que tudo se permite, segundo o famoso personagem de Dostoievsky em “Os irmãos Karamazov”: “Se Deus não existe, tudo é permitido”. Uma sociedade de absurdos paradoxos que se movimenta estrepitosamente na defesa dos ovos de tartaruga, dos fetos das baleias e dos ursos pandas ameaçados de extinção, porém, não se compadece dos fetos humanos indefesos, quando perfila a favor do aborto sem limites. Este é o retrato de uma divisão cruel e difícil que o chefe espiritual da Igreja tem diante de seus olhos. Como seu antecessor, ele percebe claramente uma situação de conflito, num mundo doente e urgentemente necessitado de mudar seus rumos. Na condução da Igreja, ele vem demonstrando ser um homem de paz, reservado e pronto ao diálogo, aquele que sabe ouvir e falar por último, segundo os que privam de seu convívio, além de possuir a necessária sabedoria do alto, acompanhada de enorme erudição. Os jovens que constituem o “termômetro” de aceitação e acolhida, vêm demonstrando por ele uma enorme empatia em todas as ocasiões de contato, e este é um dado muito significativo.
Peçamos a Deus por essa visita. Que o Brasil inteiro se beneficie e aprenda suas lições, especialmente as famílias, os jovens e os governantes, tão necessitados da plenificação espiritual que os arranque do vazio existencial em que estão metidos.
Myria Machado Botelho é escritora
EMBAIXADORA BRASILEIRA NO VATICANO COMENTA VISIT...
CIDADE DO VATICANO, 26 ABR (ANSA) - A embaixadora brasileira no Vaticano, Vera Barrouin Machado, falou à ANSA sobre a viagem que o Papa fará ao Brasil entre os dias 9 e 14 de maio.
Vera disse que o Papa chamou a atenção para a importância que a América Latina tem para a comunidade internacional e que é preciso reconhecer "as maiores nações católicas do mundo".
Bento XVI virá ao país para discursar na abertura da Assembléia Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. Aproveitando a ocasião, Ratzinger irá canonizar em território nacional Frei Galvão no dia 11 de maio.
Segundo a diplomata, "todos os brasileiros estão esperando pelo momento da canonização do primeiro santo brasileiro".
O Papa também se encontrará com a juventude católica em São Paulo. De acordo com a embaixadora, o melhoramento no "sistema de saúde pública" fez aumentar a expectativa de vida da população, o que fez com que o Brasil permanecesse um "país jovem", que vê com esperanças a nova geração que "empreenderá o desenvolvimento".
O país também está atento aos problemas na "educação e formação" dos jovens, quesito em que está em plena sintonia com a Santa Sede. (ANSA)
26/04/2007 13:16
Policiais federais devem parar antes da visita do Papa
Policiais federais devem parar antes da visita do Papa
26/04/2007 - 08:50
Fonte: Terra
Os servidores da Polícia Federal prometem fazer uma paralisação nos das 7 e 8 de maio, véspera da chegada do papa Bento XVI ao Brasil, caso as reivindicações da categoria não sejam aceitas pelo governo em reunião que será realizada hoje, em Brasília. Participam das negociações representantes de todas as classes de funcionários da Polícia Federal e os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, e da Justiça, Tarso Genro.
O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Marcos Wink, nega que a paralisação vá prejudicar a segurança do Papa. "Quem estiver envolvido na segurança do Papa não pára. Isso foi bem discutido, será cumprido à risca. A PF não vai em momento algum gerar qualquer transtorno", disse.
A Polícia Federal está escalados para a força-tarefa que protegerá Bento XVI no Brasil. A operação deve contar com 3,5 mil homens e ocorrer de forma conjunta entre as polícias Federal, Militar e Civil e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), sob o comando do Exército.
Wink confirmou, porém, que as demais atividades da Polícia Federal serão paralisadas, a exemplo do que ocorreu no último dia 18. Além de suspender o atendimento nas superintendências, como a emissão de passaportes, há previsão de que ocorra uma nova operação-padrão nos aeroportos. Na última paralisação, a PF aumentou o tempo de conferência de documentos para vôos internacionais, gerando longas filas durante todo o dia.
"A paralisação foi aprovada ontem, na assembléia da Federação Nacional. Será de dois dias na próxima semana e de mais três dias entre 22 e 24 de maio. Vamos engrossar nosso movimento", disse Wink.
Reivindicações
Nesta quinta-feira, estava prevista uma paralisação dos servidores do setor administrativo da Polícia Federal (agentes, peritos, juízes, datiloscopistas). Porém, de acordo com o Sindicato dos Servidores da Polícia Federal de São Paulo, a paralisação foi adiada em virtude da retomada das negociações.
Uma assembléia geral realizada na terça e quarta-feira, representantes de 27 sindicatos definiram os pontos que serão abordados na reunião desta quinta-feira com o governo. O objetivo principal é cobrar o reajuste salarial de 30% aos policiais federais que teria sido assinado em fevereiro do ano passado pelo então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
'Conferência de Aparecida não será início de guerra religiosa
Bispo assume no domingo (29) a arquidiocese de São Paulo.
Será dele a tarefa de ser o anfitrião de Bento XVI na capital.
Do G1, em São Paulo, com agências entre em contato
O arcebispo eleito Dom Odilo Scherer, de 57 anos, que assume no domingo (29) o comando da arquidiocese de São Paulo, afirmou nesta sexta-feira (27) que a Conferência de Aparecida não vai marcar o início de uma "guerra religiosa" na disputa por fiéis no continente.
Às vésperas de assumir o comando da Igreja de São Paulo, Dom Odilo comentou também a proposta aprovada em comissão no Senado para redução da maioridade penal. "A redução da idade penal cria a ilusão de que assim está resolvido o problema (da violência). A maioria absoluta dos crimes é cometida por pessoas adultas", disse dom Odilo.
O arcebispo, atual secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), deve deixar a função no próximo mês. A CNBB realiza assembléia entre 1 e 9 de maio em Itaici, Indaiatuba (SP), quando deve renovar sua direção. Dom Odilo deve deixar o cargo para se concentrar no comando da arquidiocese.
Antes de buscar maneiras de ampliar a presença da Igreja na periferia da capital, Dom Odilo será responsável por acolher Bento XVI em sua passagem por São Paulo, entre os dias 9 e 11 de maio.
Após o encontro do Papa com os jovens e a celebração da canonização de Frei Galvão, Dom Odilo viaja com o Papa para Aparecida, a 167 km de São Paulo. O arcebispo vai acompanhar o trabalho da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, que vai discutir diretrizes da atuação dos católicos na região.
Dom Odilo disse que o avanço dos evangélicos e a perda de praticantes do catolicismo é uma preocupação da Igreja Católica desde os anos 50, quando foi realizada a primeira Conferência Geral dos Bispos do continente. "Ninguém espere que de Aparecida apareça uma espécie de guerra religiosa na América Latina", afirmou Dom Odilo, após declarar que o catolicismo é "malhado" pelas demais igrejas.
O CD Bendito o que vem em nome do Senhor, álbum ...
Max Press - 27/4/2007 - Por Assessoria de Imprensa /MusicNews
Islâmicos criticam escolha de representanet para encontrar o Papa
Segundo eles, Armando Hussein Saleh, que participará do encontro com o papa, não é xeique e não representa a comunidade, tendo sido indicado apenas por ter boa relação com o rabino Henry Sobel.
Saleh admite não ter diploma universitário de teologia, mas diz que foi convidado devido ao bom diálogo com as outras religiões, mesmo motivo pelo qual foi ao velório do papa João Paulo 2o na comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005.
"Ele é uma pessoa simples, mas não sei nem se ele tem o primeiro grau. Não é xeique. É uma pessoa boa, mas não nos representa", disse à Reuters o xeique Ali Abdouni, um dos dois eleitos pela comunidade para representar o Islã no Brasil.
"O erro não é dele. A própria Igreja Católica, que fez o convite, deveria saber quem são os representantes legais... se nos chamarem agora nós vamos ter que ver", disse. "A nossa programação também pesa, nós não estamos sentados esperando o evento (da visita do papa). Como comunidade, não somos convidados", acrescentou.
A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) marcou para 10 de maio uma reunião do pontífice com líderes religiosos no Mosteiro de São Bento, com convites a seguidores das outras duas grandes religiões monoteístas -judaísmo e islamismo- e de outras denominações cristãs.
O outro líder muçulmano eleito porta-voz da comunidade por 40 xeiques de todo o Brasil, Jihad Hassan, afirmou que a Igreja precisa rever a postura diante dos muçulmanos brasileiros, estimados por ele em cerca de 1 milhão de pessoas.
"Eles nos conhecem, sabem os nossos contatos e têm o nosso endereço. É um jeito errado de se buscar diálogo entre as religiões", afirmou. "Não é porque esse senhor aparece em eventos com outros líderes, como o rabino Sobel, que ele representa a comunidade muçulmana. Não representa."
AMIGOS DE FÉ
Saleh ponderou que todo muçulmano praticante pode ser um bom representante e lamentou pelas reclamações porque "é melhor a comunidade se manter unida no debate inter-religioso". Ele citou como amigos o ex-arcebispo de São Paulo dom Cláudio Hummes e o sucessor dele, dom Odilo Scherer, além de Sobel.
"Talvez eu possa fazer isso melhor porque não dependo tanto desse vínculo com as entidades. Eu não vivo da religião, sou empresário do ramo moveleiro. Mas infelizmente não é assim que as coisas acontecem. Me sinto honrado da mesma forma", disse.
Segundo ele, que se diz um missionário pela paz mundial independentemente de qualquer crença ou fé, o convite foi feito pela CNBB e é intransferível.
A assessoria da comissão que organiza a visita do papa ao Brasil disse que os religiosos foram convidados para o encontro com base em dados que confirmam sua importância dentro da comunidade e reforçou que não será retirado nenhum convite.
Apesar disso, pode haver novas indicações de líderes para dialogar com o papa no caso de uma reclamação mais formal por parte de alguma comunidade religiosa, segundo a assessoria.
Além dos representantes do islamismo e do judaismo, a reunião no Mosteiro de São Bento também contará com mais cinco líderes: dom Maurício Andrade (Igreja Anglicana), dom Leolino Gomes Neto (Igreja Católica Ortodoxa Siriana), reverendo Manuel de Souza Miranda (Igreja Presbiteriana Unida), pastor Walter Altmann (Igreja Luterana) e Antonio Bonzoi (Igreja Cristã Reformada).
Bento 16 ficará em São Paulo de 9 a 11 de maio, onde se encontrará com o presidente Lula e realizará a canonização de frei Galvão, o primeiro santo nascido no país.
Nos dias 11 e 13, ele visitará Guaratinguetá, cidade de frei Galvão, e Aparecida, onde presidirá a abertura da 5a Conferência Geral dos Bispos da América Latina e Caribe. O papa volta a São Paulo no final do dia para retornar ao Vaticano.
sábado, 21 de abril de 2007
Aparecida tem três semanas
Obras principais serão feitas sem licitação e empresas não foram definidas.Cidade construirá quatro bolsões de estacionamento e faz mutirão contra dengue.
Ardilhes Moreira Do G1, em São Paulo entre em contato
Foto: Ardilhes Moreira
Em 12 de outubro de 2006, 155 mil pessoas passaram pelo santuário. Otimistas esperam 500 mil na visita de Bento XVI.
A Prefeitura de Aparecida terá três semanas para realizar as últimas obras de adequação da cidade para a visita de Bento XVI ao interior paulista. A pavimentação de cerca de 20 ruas e a instalação de um reservatório de água só devem começar na segunda-feira (23), a exatos 19 dias da chegada do Papa, segundo informou o prefeito de Aparecida (a 167 km de São Paulo), José Luiz Rodrigues (PFL).
O prefeito, que se identifica pelo apelido “Zé Louquinho” assinou na terça-feira dois decretos que declaram “emergência” para início das obras, dispensando a licitação para contratar empresas. Entretanto, espera definir nesta sexta-feira (20) quais empresas realizarão os serviços.
Na semana passada, o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes e Similares de Aparecida e do Vale Histórico, Ernesto Elache, reclamou em entrevista ao G1 da suposta falta de investimento do poder público para preparar a cidade para o evento. Para o prefeito, a administração municipal fez o necessário para acolher bem o visitante. “Nós estávamos em processo eleitoral, eu não poderia pedir a liberação dos recursos antes”, justificou Zé Louquinho.
Os recursos que somam R$ 2,27 milhões foram liberados pelo governador José Serra (PSDB) na segunda semana deste mês. De acordo com o prefeito, a pavimentação das ruas deve ser executada por empresas da região. O nome dessas empresas deve ser definido até segunda-feira (23).
Ajustes apressados
Para acelerar a construção do reservatório, o município deve comprar um modelo pré-fabricado, feito em metal com revestimento de carbono. O novo reservatório será instalado ao lado de outros dois situados em um morro dentro do Santuário Nacional e deve aumentar a capacidade de armazenamento na cidade de 4 milhões de metros cúbicos de água para 5,5 milhões. A cidade tem cerca de 36 mil habitantes e recebe em fins de semana com festas religiosas cerca de 150 mil.
Entre as obras que já estão em andamento na cidade, está a substituição da iluminação com lâmpadas de vapor de Mercúrio, para luminárias com lâmpadas de Sódio. Batizado de “Projeto Reluz”, o serviço foi financiado pela Eletrobrás e pela Bandeirantes Energia. A verba para substituição da iluminação em toda cidade será de R$ 1 milhão.
A prefeitura também divulgou nesta sexta-feira um esquema especial para receber entre 3 e 4 mil ônibus e carros em quatro bolsões de estacionamento provisórios que serão construídos em áreas cedidas por proprietários de imóveis na cidade. As áreas de estacionamento vão contar com banheiros químicos e bebedouros.
De acordo com Zé Louquinho, a cidade não teve verba especial para construção dos espaços. Nas obras, devem ser usados maquinário da própria administração municipal e material doado por empresários locais.
Dengue
Zé Louquinho garantiu que os focos do mosquito da dengue registrados neste mês na cidade não devem atrapalhar a visita dos romeiros. Ele afirma que nesta semana cerca de 200 homens da Polícia Militar visitaram os bairros de maior risco de proliferação do transmissor da doença. “Estamos exterminando a dengue, é um verdadeiro arrastão”, disse Zé Louquinho.
quinta-feira, 19 de abril de 2007
Feriado de Frei Galvão fica adiado
Não haverá mais prazo para a votação em caráter conclusivo pelas comissões da Câmara do projeto que cria o feriado nacional em homenagem ao Frei Galvão no dia 11 de maio de 2007 antes dessa data.O projeto não foi votado ontem pela Comissão de Educação e não tem sequer parecer do relator.O projeto do Senado que cria o feriado foi anexado ao projeto semelhante, do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), que já estava na Comissão de Educação da Câmara.No Senado, o projeto foi aprovado em caráter conclusivo, sem a necessidade de aprovação pelo plenário. A intenção de Leite era que o projeto também tivesse caráter conclusivo na Câmara, forma que tornaria o processo mais rápido.Caso o projeto seja aprovado, ele ainda passará pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde terá de cumprir prazo de cinco sessões para o recebimento de emendas. Depois de votado na CCJ, há o prazo de cinco sessões para apresentação ou não de recurso ao plenário da Câmara. Esse processo não permitirá a conclusão da votação, publicação e sanção do presidente da República até o dia 11 de maio."Difícil ser aprovado a tempo (antes do dia 11 de maio) por causa dos prazos e até pela manifestação dos setores financeiros impactados pelo feriado e até pela Igreja. Em nota, a CNBB não incentivou", afirmou o presidente da Comissão de Educação, deputado Gastão Vieira (PMDB-MA).
Torre do Santuário ganha novos relógios
A torre do Santuário Nacional, com 18 andares, receberá esta semana um relógio de quatro faces com o peso de uma tonelada em cada lado da torre.Os relógios poderão ser avistados durante a noite de todos os bairros de Aparecida e também das cidades de Potim e Guaratinguetá, que fazem divisa com Aparecida, porque receberam 12 mil lâmpadas distribuídas em 400 metros de tiras de leds, com vida útil de 30 mil horas.Segundo o administrador do Santuário Nacional, padre Hélcio Vicente Testa, o relógio está sendo avaliado e pode se tornar o maior do mundo, de quatro faces. A peça foi confeccionada pela Cândido Valverde S.L., uma relojoaria industrial de Madrid, na Espanha.O relógio foi custeado por empresas européias e o Santuário Nacional investiu R$ 155 mil na instalação, nacionalização e transporte das peças.
PM apóia Vigilância em operação de guerra contra dengue em Aparecida
A principal preocupação das autoridades sanitárias de Aparecida é impedir o avanço da doença e um possível surto de dengue na cidade, que espera receber milhares de romeiros em maio, quando o papa Bento 16 visita o município para a abertura da 5º Conferência Geral do Episcopado Latino Americano e Caribe, que reunirá 300 bispos de vários países.
A missa celebrada pelo pontífice no dia 13 de maio vai reunir cerca de 500 mil romeiros no Santuário Nacional de Aparecida.
Até o final de maio a cidade deve receber cerca de 1 milhão de romeiros.
Segundo o tenente coronel Comandante Interino do CPI1 (Comando de Policiamento do Interior) Airton Ribeiro da Costa, 170 policiais militares trabalharão na operação, que tem como finalidade o combate aos criadouros do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da doença, por meio de visitas nas residências e pontos comerciais e orientação aos moradores.
O tenente coronel Airton afirmou que o trabalho será realizado em parceria com a Prefeitura de Aparecida, por meio da Secretaria de Saúde para impedir novos casos da doença. "A Polícia Militar tem como um de seus aspectos a salubridade pública, em cujo contexto está inserida esta operação de prevenção e combate a dengue. A mesma operação foi realizada recentemente, com sucesso e aceitação da comunidade, em Ubatuba", disse o tenente coronel.
Ubatuba já registrou mais de 2.000 casos de dengue e uma morte por dengue hemorrágica.
Neusa Dias, responsável pelas visitas sanitárias da Vigilância Epidemiológica de Aparecida, afirmou que o apoio da Polícia Militar na visitação dos bairros será importante para agilizar o trabalho de combate a doença e também para conscientizar os moradores sobre a dengue.
"A ajuda dos policiais será importante para agilizar o trabalho das visitas e também para chamar a atenção dos moradores. A dengue só será combatida se toda a sociedade estiver comprometida e cada um fizer a sua parte", afirmou Neusa.
ARRASTÃO - A Vigilância Epidemiológica de Aparecida realizou ontem um arrastão contra o mosquito da dengue na região do Seminário Bom Jesus, onde o papa Bento 16 se hospedará de 11 a 13 de maio.
O mutirão foi realizado no centro e nos bairros Jardim São Paulo e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que fica a 100 metros do seminário após a .
Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) detectar que o índice de larvas do mosquito era maior nestes locais.
Guará retira lombadas de trajeto oficial
A medida pode ter sido tomada em razão do atraso nas obras de recapeamento de 28 vias públicas de Aparecida. O prefeito José Luiz Rodrigues (DEM) assinou decreto de emergência anteontem para contratar empresas sem licitação e concluir as obras.
Prefeito apela a Deus para cumprir prazo
Aparecida
José Luiz Rodrigues (DEM), o 'Zé Louquinho', prefeito de Aparecida, apela para Deus para conseguir terminar as obras de infra-estrutura para recepcionar o papa Bento 16, que chega na cidade em 24 dias. Disse o prefeito em razão dos atrasos: "Se Deus quiser, dará tudo certo".
Rodrigues admite que é curto o tempo disponível para realizar as obras de infra-estrutura para a visita do papa. Contudo, jura estar otimista. "As empresas vão ter que fazer um trabalho de qualidade no prazo estipulado", afirma o prefeito.
Além de terminar as obras de alargamento de calçadas em cinco ruas, asfaltamento de trevo e rua de acesso à via Dutra e troca da iluminação na região central de Aparecida, Rodrigues espera construir um reservatório para 1,5 milhão de litros de água e colocar asfalto novo em 20 vias públicas. Tudo isso em menos de um mês.
BUROCRACIA- Assumindo que as obras estão atrasadas 'eram para ontem', Rodrigues culpa o processo eleitoral e os trâmites burocráticos do governo estadual que só liberou a verba no início de abril.
"O papa anunciou que viria a Aparecida em maio do ano passado. Em junho, começou o período eleitoral que proibia, por lei, a liberação de verbas, que só puderam ser disponibilizadas a partir de janeiro deste ano. No fim, a verba só foi garantida no começo de abril."
Agora, segundo ele, é rezar para Nossa Senhora Aparecida.
Mosquito da dengue 'ronda' seminário
Aparecida
O mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, 'ronda' o Seminário Bom Jesus, no centro de Aparecida, onde o papa Bento 16 ficará hospedado por três dias e duas noites.
Segundo a Sucen, o maior índice de larvas do mosquito foi detectado no centro e no bairro Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, a 100 metros de distância do seminário.
Para impedir a proliferação do transmissor nas proximidades do local de hospedagem do papa e de outros 35 membros de sua comitiva, a Vigilância Epidemiológica de Aparecida vai iniciar na hoje uma varredura no bairro e no centro.
De acordo com a Vigilância Epidemiológica, todas as casas e pontos comerciais serão vistoriados pelos agentes de saúde.
O número de casos confirmados da doença saltou ontem de 48 para 66. A Vigilância Epidemiológica de Aparecida aguarda a confirmação de exames de outros 145 casos suspeitos.
O município, que corre o risco de registrar um surto da doença, está infestado pelo Aedes Aegypti.
Uma "força-tarefa" será montada nos próximos dias para impedir o avanço dos casos de dengue. Um grupo de 60 agentes de saúde fará o trabalho de nebulização, visita nas residências para eliminação dos criadouros e distribuição de folhetos.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, o trabalho será realizado em todos os municípios do Estado que apresentarem casos de dengue. O mesmo trabalho foi realizado na semana passada em Potim, que faz limite com Aparecida e tem 21 casos confirmados e 30 suspeitos.
SILÊNCIO- A assessoria da Arquidiocese de Aparecida, responsável pela visita do papa Bento 16 a cidade, informou que o arcebispo de Aparecida, dom Raymundo Damasceno Assis, ainda não foi informado sobre a infestação do mosquito nos arredores do seminário.
Aparecida atrasa 75% das obras do papa
A 24 dias da visita do pontífice, prefeito decreta emergência para dispensar licitações e iniciar serviços
Aparecida
Alexandre Alves
Das 28 obras de infra-estrutura que a Prefeitura de Aparecida pretende fazer para recepcionar o papa Bento 16, que chega na cidade em 24 dias, nada menos que 21 estão atrasadas. Apenas sete estão em andamento. Ou seja, 75% das obras de melhoria na cidade ainda não foram iniciadas a menos de um mês da visita do papa.
O problema é tão grave que o prefeito José Luiz Rodrigues (DEM), o 'Zé Louquinho', assinou ontem um decreto de reconhecimento de emergência, dispositivo legal que dá à prefeitura o direito de contratar empresas sem licitação.
Dois são os alvos da medida: construção de um reservatório de abastecimento com capacidade para 1,5 milhão de litros de água e colocação de asfalto novo em 20 vias públicas.
Admitindo que a situação é ôcríticaõ, o folclórico prefeito de Aparecida recorre a Deus para recuperar o tempo perdido (leia texto nesta página). O atraso, segundo ele, foi causado pelo processo eleitoral e pela burocracia do governo estadual.
Rodrigues informou que cerca de metade da verba de R$ 2,25 milhões garantida pelo governo estadual para fazer as duas obras que faltam já foi liberada há uma semana. Mas como o dinheiro só pode ser gasto mediante licitação, as obras só poderiam ser feitas dentro de 60 dias, prazo médio de um processo licitatório.
"Como não daria para terminar, o jeito foi decretar a emergência e abrir mão da licitação", afirmou Rodrigues. Ele informou que as empresas serão contratadas levando-se em conta preço e qualidade no serviço e que as obras serão fiscalizadas.
Na opinião do presidente da Câmara de Aparecida, João Luiz Mota (PSDB), o prazo não será cumprido. "Não dá mais tempo. E o problema agora é fazer tudo correndo e ficar um serviço de péssima qualidade. Quem vai pagar caro por isso é a população", disse.
OBRAS - Das 28 obras previstas pela prefeitura, apenas sete estão dentro do prazo: alargamentos de calçadas em cinco vias da cidade (ladeira e rua Monte Carmelo, rua Anchieta, rua Maestro Benedito Barreto e rua Barão do Rio Branco) e construção do trevo de acesso à via Dutra (ligação das ruas Chad Gebran e Rosa Soares Penido).
Falta construir o reservatório de água e recuperar o asfalto em 15 ruas, uma avenida (Solon Pereira) e uma praça (Santo Afonso), além do complemento da marginal Padre Jorge Antão. Prevê-se também a pavimentação asfáltica em duas ruas: Padre Claro Monteiro e João Andrade Costa, totalizando 20 vias públicas.
Ao todo, terá que ser asfaltada uma área superior a 56 mil metros quadrados, ao custo estimado em R$ 1 milhão. O reservatório custará cerca de R$ 1,25 milhão.
A Secretaria Executiva da Visita do Papa, órgão ligado à Arquidiocese de São Paulo, minimizou o problema da prefeitura. Para a entidade, a chegada do papa em Aparecida não depende do término das obras de melhoria da infra-estrutura, mas elas servirão de conforto e melhor atendimento à população.
VAGAS- Além do atraso nas obras da prefeitura, outra preocupação da equipe que cuidará da segurança do papa Bento 16 é o déficit de 4.000 vagas para estacionamento de ônibus na cidade, que exigirá o total de 6.000 vagas.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, que não permitirá estacionamento ou desembarque de passageiros às margens da via Dutra, apenas 2.000 vagas já estão confirmadas.
O prefeito de Aparecida pretende criar 4.000 vagas para ônibus e 10 mil para carros em cinco bairros da cidade, em terrenos particulares. Segundo ele, a negociação com os proprietários está avançada e as vagas devem estar definidas até o início da próxima semana.
quarta-feira, 4 de abril de 2007
Basílica vai abrigar o QG da segurança
O comando da operação será do general Floriano Peixoto Vieira Neto, comandante da 12ª Brigada de Infantaria Leve do Exército, em Caçapava, que contará com soldados e oficiais do Exército e da Aeronáutica, policiais civis e militares e agentes da Polícia Federal, incluindo os patrulheiros rodoviários.
No Cosi (Centro de Operações de Segurança Integrada) a ser instalado na torre do Santuário, cada corporação terá um representante no grupo que tomará as decisões sobre a 'Operação Papa'.
A meta é ter agilidade na tomada de decisões, principalmente em casos de emergência.
"Tudo está sendo pensado para que a operação de segurança do papa transcorra com tranqüilidade", disse o major de engenharia José Mateus Teixeira Ribeiro, do comando da 12º Brigada de Infantaria Leve Aeromóvel do Exército, em Caçapava.
Ontem, Ribeiro e outros 12 militares do Exército de Caçapava e Lorena estiveram vistoriando pontos estratégicos em Aparecida, com relação à passagem do papa pela cidade.
Infraestrutura para os eventos de Maio
Soldados e médicos vão atuar em tendas de suporte ambulatorial montadas em Aparecida durante a visita do papaAparecida O Exército vai atuar em 'tendas de saúde' que serão montadas em Aparecida durante a visita do papa Bento 16 ao município, entre 11 e 13 de maio. Os soldados e médicos darão apoio ao atendimento ambulatorial dos cerca de 500 mil romeiros esperados no local.
Segundo o major de engenharia José Mateus Teixeira Ribeiro, do comando da 12ª Brigada de Infantaria Leve Aeromóvel do Exército, de Caçapava, as tendas serão montadas em pontos estratégicos, onde há maior movimentação de peregrinos.
O número de tendas será definido nos próximos dias. As unidades serão preparadas pela Unitau (Universidade de Taubaté) por meio de um convênio com o Exército. A Secretaria de Saúde de Aparecida vai reforçar o número de médicos e enfermeiros em operação.
"Nós vamos ajudar, dar apoio à Secretaria de Saúde de Aparecida para que a capacidade de atendimento da cidade seja aumentada", afirmou o major.
A Prefeitura de Aparecida vai definir esta semana o projeto de atendimento ao público durante a visita do papa e contará com reforço de médicos na Santa Casa e no ambulatório médico do Santuário Nacional, bem como a estrutura de saúde de Guará, que conta com a Santa Casa e o Hospital Maternidade Frei Galvão.
A secretária de Saúde de Aparecida, Rosângela Filippo, disse que não comentaria o caso porque somente o prefeito José Luiz Rodrigues (PFL), poderia falar sobre assuntos relacionados à visita do papa.
O prefeito foi procurado pelo valeparaibano, ontem, mas não foi encontrado para comentar o assunto.
GUARÁ- Em Guaratinguetá, a prefeitura vai disponibilizar 10 ambulâncias, uma equipe extra de cinco médicos e 10 enfermeiros e auxiliares de saúde, durante 24 horas, entre os dias 11 e 13 de maio, bem como das equipes de saúde que já atuam no município.
O DRS (Departamento Regional de Saúde) de Taubaté dará suporte para as cidades de Aparecida e Guará em casos de alta complexidade nos hospitais de Taubaté.
domingo, 1 de abril de 2007
Beato fundou o Mosteiro da Luz em SP
Guaratinguetá
A designação que Frei Galvão recebeu para assumir como confessor de um recolhimento de mulheres piedosas em São Paulo, as 'Recolhidas de Santa Teresa', em 1769, marcaria sua vida para sempre.
Ali conheceu a religiosa Helena Maria do Espírito Santo, que afirmava ter visões nas quais Jesus lhe pedia para fundar outro recolhimento. Frei Galvão consultou sábios e estudiosos e, dando crédito às visões de irmã Helena, fundou com ela, em 1774, um novo recolhimento.
Mas a religiosa morreu um ano depois e Frei Galvão se viu às voltas com inúmeras dificuldades, entre elas, a intenção de governantes da época de fechar o recolhimento.
Por causa do grande número de vocações, o franciscano se viu na obrigação de aumentar o recolhimento, tarefa que desempenhou por 14 anos (1774-1788). Precisou de outros 14 anos (1788-1802) para construir a igreja do recolhimento.
Trabalhando ao lado de escravos, Frei Galvão foi arquiteto, mestre de obras e até pedreiro na construção. A obra, conhecida como Mosteiro da Luz, foi declarada patrimônio cultural da humanidade pela Unesco.
Em 1998, quando Frei Galvão foi beatificado pelo então papa João Paulo 2º, recebeu do pontífice os títulos de 'Homem da paz e da caridade' e 'Patrono da construção civil no Brasil'.
"A canonização de Frei Galvão me deixa duplamente contente: por ser de Guaratinguetá, onde também nasci, e por ter sido declarado patrono da construção civil", diz o arquiteto Daltro Mathias Mendonça, 34 anos, que projetou o palco em que o papa Bento 16 se encontrará com os jovens no estádio do Pacaembu, em São Paulo.
Fiéis relatam comprovação de dons especiais
Guaratinguetá
Ainda em vida, Frei Galvão foi reconhecido como santo pelos milhares de devotos que recorriam ao franciscano em São Paulo, no Mosteiro da Luz, atrás de conforto espiritual e cura de males. Após a sua morte, em 1822, seu túmulo transformou-se em roteiro de peregrinações.
Historiadores afirmam que relatos da época em que Frei Galvão viveu em São Paulo, entre 1762 e 1822, narram virtudes sobrenaturais que o franciscano possuía, tais como o dom da premonição, da telepatia, da bilocação (estar em dois lugares ao mesmo tempo), telepercepção (saber de coisas ocorridas a grandes distâncias) e o da levitação.
Deste último, segundo Thereza Maia, diretora do Museu Frei Galvão, em Guará, originou-se a antiga quadrinha da tradição popular. "Na minha aflição, dai-me consolação senhor, meu Frei Galvão, que não pisais no chão."
DOM - Thereza diz que há relatos de fiéis que teriam presenciado estes dons. Em 1810, Frei Galvão teria confortado um moribundo em Cuiabá que pedia sua intercessão para se confessar e, no mesmo momento, de acordo com testemunhas, estaria o franciscano em São Paulo.
Em outro relato, uma mulher afirma ter se encontrado com Frei Galvão numa rua na capital e, espantada com o que vira, teria dito: "Senhor padre, o senhor anda sem pisar no chão?"
Poemas para Sant'Anna viram livro
Guaratinguetá
A primeira reunião da intelectualidade paulistana que fundou a Academia de Letras de São Paulo ocorreu em 25 de agosto de 1770. O grupo foi batizado como 'Academia dos Felizes' e se reuniu, naquela ocasião, durante sete horas para declamar poesias, hinos e textos em seis línguas.
Entre os participantes, estavam religiosos, advogados, médicos e comerciantes. Lá estava também um jovem frade de 31 anos, que se orgulhava dos poemas que escrevia em homenagem a Sant'Anna, mãe da Virgem Maria e avó de Jesus Cristo. Trata-se de Frei Antônio de Sant'Anna Galvão, o Frei Galvão.
Durante a sessão, o franciscano apresentou 16 das 65 peças recitadas para o grupo. Crônicas da época revelam que o jovem frade era reconhecido como um religioso erudito e estimado por seus poemas em latim. Os textos originais estão na biblioteca da USP (Universidade de São Paulo).
Tais versos foram publicados, em português, num livro de 1980 intitulado 'Escritos Espirituais' (1766-1803). Esta obra pode ser consultada no Museu Frei Galvão, em Guará.
"Os versos de Frei Galvão mostram um religioso profundamente devoto de Sant'Anna e preocupado com a salvação de todas as pessoas", diz o professor de Letras Antônio Carvalho, da PUC (Pontifícia Universidade Católica).
Canonização
Em vida, Frei Galvão já era chamado de santo por fiéis
Fama das pílulas de papel tem início em 1800, com a cura de dois doentes
Guaratinguetá
Alexandre Alves
A confeiteira Dejanira Freitas Roberto de Oliveira, 64 anos, de Santo André (SP), passou os últimos dois anos sofrendo com problemas físicos e emocionais. Abandonada pelo marido, Dejanira caiu num turbilhão de crises nervosas, que contaminaram não apenas ela, mas a família toda.
Tudo o que ela desejou neste período foi que sua vida voltasse ao normal. Na última quinta-feira, a confeiteira conta que deu os primeiros passos para a recuperação. Reuniu-se a um grupo de 34 pessoas do ABC Paulista e visitou a Casa de Frei Galvão, em Guará.
Veio pegar pílulas do beato, que será canonizado pelo papa Bento 16 em maio, e rezar aos pés da estátua de Frei Galvão. Dejanira tocou diversas vezes na estátua e chorou. "Vou voltar para casa e viver uma vida nova."
A fé que Dejanira e milhares de outras pessoas têm em Frei Galvão não vem de hoje. Aliás, dizem os historiadores, surgiu com a fama de santidade que o franciscano tinha ainda em vida. Por 60 anos ele morou e trabalhou em São Paulo, onde construiu o Mosteiro da Luz.
Servir aos pobres foi a escolha que o menino Antônio Galvão de França fez ainda pequeno, vivendo sob a guarda dos pais na Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá. "Ele aprendeu a amar os mais necessitados com os seus pais, que eram muito caridosos e religiosos", diz trecho do livro 'Frei Antônio de Sant'Anna Galvão'.
HISTÓRIA - O beato nasceu em Guará em 1739. Segundo a historiadora Thereza Maia, diretora do Museu Frei Galvão, o livro de batismo do franciscano está desaparecido e não se sabe ao certo em que dia e mês ele nasceu. "Suspeitamos que tenha sido em dezembro", diz ela.
O pai, Antônio Galvão de França, era imigrante português e capitão-mor. A mãe, Isabel Leite de Barros, era filha de fazendeiros.
Como os pais gozavam de prestígio social e influência política, Antônio Galvão, que era o quarto filho entre 11 irmãos, cresceu numa casa grande e rica, mas com profunda devoção à Igreja Católica.
O curioso é que, dos 11 irmãos, apenas Galvão enveredou para a vida religiosa. Com 13 anos, em 1752, o menino Galvão foi mandado para a Bahia para estudar no Seminário de Belém, de padres jesuítas. Só não se tornou um deles porque a perseguição empregada aos jesuítas pelo Marquês de Pombal fez com que a congregação deixasse o Brasil.
Em 1755, Galvão sofre uma nova mudança na vida: retorna para Guará e ingressa no convento franciscano de São Boa Ventura de Macacu, em Itaboraí, no Rio de Janeiro, onde adota o nome de Antônio de Sant'Anna Galvão.
Faz seus votos solenes em 1761 e, um ano depois, é ordenado sacerdote. Em 1762, muda-se para São Paulo e começa a grande obra da sua vida: o Mosteiro da Luz.
PÍLULAS - Frei Galvão viveu 60 anos em São Paulo até morrer em 23 de dezembro de 1822. Por volta de 1800, por não poder atender duas pessoas adoecidas, escreveu uma oração em um pequeno pedaço de papel e pediu para que os doentes a tomassem como pílulas. Ambos se salvaram e começou aí a fama das pílulas de Frei Galvão.
"Estou levando as pílulas para meu genro que, graças a Deus e a Frei Galvão, está se curando de um câncer", diz a dona-de-casa Elizabeth Silva, 51 anos.
Assim como a confeiteira Dejanira, ela voltou para Santo André na última quinta com a convicção de que levava na bolsa três pequenos milagres em forma de pílulas.
330 pessoas cuidam dos preparativos
Aparecida
Os preparativos para a Conferência Episcopal de Aparecida estão a todo vapor. A menos de dois meses do início do evento, o Santuário Nacional, que irá sediar a reunião dos bispos, dá os retoques finais na organização da infra-estrutura e da logística de apoio ao encontro.
Os 270 bispos e convidados irão se reunir diariamente em um auditório especial que está sendo preparado no subsolo da Basílica Nacional de Aparecida, com capacidade para mais de 300 pessoas.
Os preparativos estão sob a responsabilidade da secretaria-executiva que o Celam (Conselho Episcopal Latino-Americano) montou em Aparecida para cuidar da organização da Conferência e também do próprio santuário.
O padre José Luiz Majella é o secretário-executivo e conta que uma equipe de 150 a 180 voluntários que colaboram nos preparativos. Foram formadas 16 comissões de trabalho para cuidar da organização do encontro.
Há comissões que cuidarão da recepção dos delegados, translado para Aparecida, acomodação e até do cardápio diário.
CARDAPIO - "Foi preparado um cardápio comum, apropriado para os religiosos que são procedentes de vários países com culturas diferentes", afirma padre Majella. No menu constarão pratos leves, carnes, verduras e frutas.
Diariamente, os bispos participarão de uma celebração conjunta, no santuário, antes do início dos trabalhos.
Os debates e exposições verbais serão traduzidos para o português, inglês e espanhol. O encerramento da conferência será no dia 31 de maio.
Teólogo diz que tema ainda é um desafio
Aparecida
O teólogo Rafael Rodrigues da Silva tem esperança de que a Conferência de Aparecida possa apontar os caminhos para a participação das mulheres e também dos leigos na Igreja Católica do continente latino-aamericano e caribenho.
Para ele, tratar do assunto é um desafio para os bispos em Aparecida. "Se olharmos para a maioria das nossas comunidades e igrejas, iremos nos deparar com um grande número de mulheres. Elas estão nos trabalhos e pastorais sociais, estão inseridas na dinâmica litúrgica e nos serviços comunitários eclesiais", afirma o especialista.
Segundo Silva, com toda essa participação, "onde reside o problema de delegar poder e autoridade às mulheres? A autoridade de celebrar consagrar e definir os rumos da Igreja é uma prática exclusivamente masculina".
DESAFIO - "Penso que aqui está um dos grandes desafios para a Igreja na América Latina. Julgo que corremos o risco de na 5º Conferência Episcopal Latino-Americana não dar espaço preciso para se debater a Pastoral Afro, as Comunidades Eclesiais de Base, a Pastoral Indígena e a presença, poder e participação das mulheres", destacou o teólogo, que é professor da PUC (Pontíficia Universidade Católica), de São Paulo, e da Universidade Salesiana, além de assessor do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos e Comunidades Eclesiais de Base.
Para o especialista, é urgente que a Conferência de Aparecida aponte caminhos para que todos que professam a fé em Jesus Cristo e no Evangelho caibam dentro da Igreja.
Conferência de Aparecida
Bispos querem discutir papel da mulher na Igreja
Entre os temas delicados do encontro de bispos está a participação feminina
Aparecida
Chico Pereira
A participação da mulher na igreja é um dos temas delicados que os bispos planejam abordar na 5º Conferência Episcopal da América Latina e do Caribe entre 13 e 31 de maio, em Aparecida.
O papel da mulher na comunidade católica é bastante destacado no documento síntese preparado pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) com as contribuições da Igreja Católica no país à Conferência Episcopal.
A sugestão dos católicos brasileiros ao encontro de Aparecida é para debater o lugar e o papel da mulher na Igreja, uma vez que a sua participação nas comunidades eclesiais é bastante significativa, além do fato de serem maioria nesses grupos.
O texto menciona que a mulher vem tomando cada vez mais consciência de sua dignidade e exigindo igualdade no trato e oportunidades. "A Igreja não pode ficar insensível a esse novo sinal dos tempos, também em nível interno, pois nela, são os homens os mais privilegiados, que normalmente tomam as decisões", afirma o documento síntese da CNBB.
O documento salienta, em outro trecho, que "as tendências conservadoras, que rejeitam o pensamento e a participação das mulheres em tarefas de direção e coordenação eclesial, inclusive nas CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), não podem inibir a Igreja a gestos proféticos". O texto menciona que "o acesso das mulheres ao ministério ordenado é uma dívida pendente".
IMPORTÂNCIA - Para dom Demétrio Valentini, 66 anos, bispo de Jales-SP, essa questão é muito importante. Em palestra realizada no início de março sobre a 5º Conferência, em Belo Horizonte, o religioso abordou o tema.
Dom Demétrio afirma que um ponto muito importante, que precisa de avanços concretos e efetivos, é o reconhecimento da presença da mulher na Igreja, do significado eclesial e da dimensão ministerial de sua atuação, e de sua imprescindível participação na vida e na missão da Igreja.
"Este é um assunto que não poderá faltar na Conferência Episcopal de Aparecida. A Igreja precisa avançar nesta questão", afirmou dom Demétrio ao valeparaibano.
Para o religioso, o papel e a importância da mulher já forão reconhecidos pela sociedade. "A Igreja precisa dirigir uma palavra às mulheres na Conferência de Aparecida, pois neste campo ela ainda está atrasada em relação à sociedade", declarou o religioso.
Como um dos 22 delegados brasileiros (bispos) eleitos para representar a Igreja Católica Brasileira na conferência, dom Demétrio disse ter esperança de que os seus colegas latino-americanos e caribenhos irão dar destaque à questão.
PARTICIPAÇÃO - Várias representantes femininas de ordens religiosas e leigas irão participar da 5º Conferência Episcopal como convidadas. Na lista aprovada pelo Vaticano constam mulheres do México, Venezuela, Antilhas, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Nicaraguá, Paraguai, Honduras, Colômbia e Panamá.
Duas mulheres do Brasil integram o grupo, a irmã Maris Bolzan, do Rio de Janeiro, e a advogada Clea Anna Carpi da Rocha, de Porto Alegre (RS), que também será uma das representantes dos leigos no evento.
O tema central da conferência, escolhido pelo papa Bento 16, que irá presidir a abertura do evento, é 'Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que todos n'Ele tenham vida. E sou o caminho, a verdade e a vida'.
Palco será concluído em abril
Aparecida
A obra principal que está sendo executada pelo Santuário Nacional de Aparecida é a construção do palco onde o papa Bento 16 vai celebrar uma missa no dia 13 de maio para cerca de 500 mil pessoas.
A obra, orçada em R$ 900 mil, deve ser concluída até o final desde mês e será custeada pelo Celam (Conselho Episcopal Latino Americano).
O palco terá cinco metros e meio de altura e o papa ficará a 40 metros de distância do público. No piso superior ficará o papa, no segundo piso ficarão 50 religiosos, 25 de cada lado.
Ao lado do palco, no piso do pátio da Basílica, serão reservadas duas ala para 1.200 religiosos, padres e bispos. Em frente ao palco, onde Bento 16 celebrará a missa, serão reservadas duas alas para autoridades, com capacidade para 400 pessoas.
O palco terá um camarim no subsolo da Basílica e o acesso será feito por meio de túnel. A obra está sendo construída entre a Basílica e o Centro de Apoio ao Romeiro.
A área entre a igreja e o Centro de Apoio, de 100 mil metros quadrados, será disponibilizada para o público. Os veículos ficarão nos estacionamentos superiores e nas ruas da cidade. O Santuário Nacional vai montar três telões para que o público assista à missa de Bento 16.
Escultor faz imagens do frei em madeira
Guaratinguetá
A distância que separa o escultor Benedito Eduardo de Carvalho, 59 anos, das cidades de Aparecida e Guará aumentou ainda mais sua fé e devoção em Nossa Senhora Aparecida e em Frei Galvão.
Natural de Nazareno (MG), Carvalho visita o Vale pelo menos uma vez por ano. Faz questão de participar de missas no Santuário, em Aparecida, e na Catedral de Santo Antônio, em Guará.
Foi numa dessas viagens, no ano passado, que conheceu o padre Silvio Florêncio, cura da Catedral de Santo Antônio.
Especialista em arte sacra, Carvalho, conhecido como 'Dito Santeiro', falou sobre suas imagens de santos esculpidas em madeira e recebeu o convite do padre para desenhar Frei Galvão. "Aceitei o convite com o maior prazer e orgulho. Como sou muito devoto de Frei Galvão, decidi fazer logo duas imagens."
O santeiro conta que está na fase de acabamento das estatuetas, que têm 65 centímetros de altura, pesam 4 kg e são feitas de mogno. O estilo mistura o barroco do século 17 com o estilo clássico.
PRESENTE - Carvalho diz que uma das estátuas será endereçada ao papa Bento 16. A peça deve ser entregue pelo arcebispo de Aparecida, dom Raymundo Damasceno Assis.
A outra imagem, segundo o padre Silvio, será doada ao acervo da Catedral de Santo Antônio. "Ele trouxe a imagem que está sendo feita e é realmente divina. O talento que ele tem é incrível. Será um presente maravilhoso para o pontífice", disse o sacerdote.
Autor de mais de 500 esculturas, Carvalho diz que dedicou cerca de três meses às imagens de Frei Galvão, que estão na fase de acabamento.
Carvalho conta que se baseou em desenhos e imagens da tradição popular para esculpir o santo. No trabalho, ele usou facas de cabo de massa plástica e formão para moldar as peças.
Basílica Nacional ganha 10 painéis de azulejo
Peças serão feitas por artista plástico nas paredes das quatro naves do santuário, com passagens do Evangelho
Aparecida
Luciana Mendes
A Basílica de Nossa Senhora vai concluir este mês o trabalho de ornamentação do interior da igreja com 10 painéis feitos em azulejos que retratam cenas do Evangelho, construídos na nave sul da igreja, que abriga a imagem de Nossa Senhora Aparecida.
Até a visita do papa Bento 16, marcada para maio deste ano, os 10 painéis estarão concluídos. O local também terá o teto pintado de branco para realçar as obras de arte, que são confeccionadas pelo artista plástico Cláudio Pastro.
Ele é autor de várias obras que adornam o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, como painéis em homenagem às mulheres e peças em azulejos nas capelas do Santíssimo e de São José, no interior da Basílica Nacional.
Em todas as alas da igreja serão colocados 34 painéis. Na nave sul serão 10 painéis e 8 em cada uma das outras três naves.
Conforme o projeto de Cláudio Pastro, os painéis, que medem sete metros de comprimento por cinco metros de largura, serão construídos nas paredes de 40 metros de altura que contornam as quatro naves da Basílica --norte, sul, leste e oeste.
Segundo Cláudio Pastro, os painéis serão feitos em azulejos para seguir o estilo de outras obras de arte ja concluídas dentro da igreja e também porque valorizam a cerâmica nos elementos decorativos previstos no projeto de acabamento interno do templo.
A além de adornar a igreja, as peças irão ilustrar algumas passagens do evangelho como anunciação de Maria, os nascimentos de Jesus e de João Batista, a apresentação de Jesus no templo e a escolha dos discípulos, entre outras passagens.
Pastro disse que os elementos decorativos poderiam ter sido feitos em mosaico ou pintura, mas foram escolhidos painéis de azulejo de cerâmica porque combinam com as paredes da igreja que são de tijlos à vista (leia texto nesta página).
"O trabalho de acabamento da igreja é inspirado na tradição dos azulejos coloniais herdada de Portugal e Espanha nos séculos passados. Os painéis oferecerão a visão de praticamente todo o Evangelho à volta da Basílica, que nós chamamos de Bíblia Palperum (Bíblia dos Pobres), a qual todas as pessoas poderão ler a sua fé", disse Pastro.
FAIXAS - Entre os arcos e os painéis o artista vai confeccionar uma faixa decorada em azulejos, com a flor de açucena e, nos capitéis das colunas, romãs, maçãs e uvas, que são os atributos do cântico dos cânticos.
Segundo Cláudio Pastro, essa decoração indica que este é um espaço esponsal, espaço das núpcias do Cordeiro, do Amado Deus com sua igreja, que é o seu povo.
Para a próxima etapa das obras de acabamento interno, estão previstos outros dois grandes painéis, como os que já estão prontos, das mulheres que antecederam a Virgem no Antigo Testamento, na nave sul, e as discípulas do Novo Testamento, na nave norte.
Esses painéis retratarão cenas dos mártires da Igreja Católica, relatadas no livro Atos dos Apóstolos.
Doações garantem obra do Seminário
APARECIDA, São Paulo (Reuters) - A reforma do seminário que abrigará o papa Bento 16 em sua visita a Aparecida, onde se localiza o Santuário Nacional, teve um custo estimado em 3,5 milhões de reais, garantidos em doações de empresários.
Bento 16 chega a São Paulo em 9 de maio e dois dias depois vai a Aparecida, com saída prevista para o dia 13.
"Há boa vontade de colaborar para uma obra que terá utilidade futura", disse a jornalistas o arcebispo de Aparecida, dom Raymundo Damasceno nesta sexta-feira, referindo-se às doações.
O Seminário Bom Jesus, que fica no centro de Aparecida (cidade a 167 km a nordeste de São Paulo), data de 1894 e estava em más condições quando o arcebispo decidiu que o edifício seria o local da igreja adequado para instalar Bento 16 em sua primeira visita ao Brasil como pontífice.
O prédio, de 13 mil metros quadrados e quatro andares, foi indicado por ser o mais tradicional da arquidiocese, no terreno da residência do arcebispo.
No mesmo edifício, o papa João Paulo 2o foi recebido em almoço e descansou em sua estada na cidade em 1980. O cardeal dom Geraldo Magela, atual presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi diretor espiritual do seminário.
O Vaticano foi consultado para opinar sobre os aposentos e depois seus representantes estiveram no local para aprovar as obras.
"Tínhamos que saber como é o perfil do papa para fazer as obras. Fomos informados que ele é uma pessoa simples, estudioso, que faz reflexões", disse o arquiteto Ricardo Julião, responsável pelas obras.
O dormitório não foi apresentado à imprensa. Os jornalistas receberam fotos e puderam conhecer apenas a parte térrea do prédio, cujas obras ainda não estão finalizadas.
"É um aposento privado do papa e também há a questão da segurança", justificou dom Damasceno ao impedir a visita.
O dormitório, de 45 metros quadrados, tem cama, poltrona, mesa com quatro cadeiras e dois guarda-roupas. Tudo parece, pelas fotos, simples e de cores claras. Os tapetes são feitos em sisal, por ser um produto nacional. O enxoval (lençóis e toalhas) está sendo bordado com um símbolo do Vaticano em Aparecida. Sem que o papa pedisse, foi colocado um aparelho de ar refrigerado, que ele poderá usar se desejar.
Ao lado do quarto, Bento 16 terá uma capela de 18 metros quadrados com altar de aço inoxidável, usado por ser mais barato que a prata. Pequena, abriga apenas quatro ou cinco assentos. Ele terá ainda um banheiro individual, de 12 metros quadrados, todo em cerâmica, já que o mármore foi evitado.
As doações foram feitas por intermédio do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. Um total de 35 empresas colaborou na reforma e todo o mobiliário do aposento foi feito pelos alunos do Senai, ligado à entidade.
Skaf disse que as doações somaram 6 milhões de reais, valor previsto inicialmente para as obras, segundo dom Damasceno. A reforma prevê ainda obras em dois andares.
O prédio, de arquitetura neoclássica, não tem estrutura metálica nem de concreto. "É tudo de alvenaria", disse o arquiteto Julião. Ele comparou o Seminário Bom Jesus à Pinacoteca de São Paulo. "É um prédio-irmão."
Além do papa, 30 pessoas de sua comitiva ficarão hospedadas no seminário.
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