Foi lançado na terça feira, dia 09, o prato típico dos Romeiros de Aparecida: o Virado de Frango e suas variações de época. O evento ocorreu na Cozinha Escola do SINHORES Aparecida e Vale Histórico, com a presença de autoridades, diretores e cozinheiros de hotéis da cidade, e ainda a imprensa do Vale.
O Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes de Aparecida e Vale Histórico- SINHORES, lança o prato típico de Aparecida, baseado em pesquisa do culinarista João Rural, especialista culinária regional do Vale do Paraíba. Este prato é o Virado de Frango, preparado de três formas diferentes, sendo um do tempo dos tropeiros.
Para o presidente da entidade, Ernesto José Elache “o trabalho de João Rural veio de encontro aos anseios da entidade e seus associados que querem colocar em destaque a gastronomia da região, para milhões de turistas que visitam a cidade. E vamos começar pelo Virado de Frango, com o objetivo de que volte a ser o prato preferido pelos romeiros que nos visitam”
VIRADO
Dentro de sua pesquisa, João Rural, foi atrás de famílias que foram para Aparecida em tropas, até por volta de 1940 e, depois em caminhões, até a década de 60, do século passado. Achou as duas receitas, uma variando um pouco da outra, mas com as mesmas características. O virado de frango usava cheiros verdes, folhas de louro, sal com alho urucum farinha de milho branca. Depois passaram a usar farinha amarela. No final fica meio empapado, mas firme. O virado de tropeiro de frango usava frango caipira em pedaços menores, como a passarinho, cheiros verdes, batatinha cortada em pedacinhos, sal com alho e farinha de mandioca.
Segundo João Rural, “os pratos são realmente pérolas da região e que estavam esquecidos bem debaixo dos pés de todo mundo, mas muitos romeiros ainda vivos lembram com saudades do prato”. Ele afirma que as receitas até aparecem em livros de culinária, com modificações substanciais, ficando longe de como eram feitos pelas antigas e abnegadas cozinheiras. D. Nenê, de Paraibuna diz que “na romaria não podia faltar o virado de frango, que era aguardado por todos até a hora de saboreá-lo”. Afirma que o prato era feito em casa, de madrugada, colocado em uma panela grande , enrolado num pano para a viagem. No caminho, embaixo de algumas árvores, onde tinha uma água, o caminhão parava e todos comiam juntos. As vezes levavam talheres e pratos, mas muitos comiam com as mãos mesmo. “Era um prato abençoado, pois era comido com muita devoção”, afirma ela que, quando era menina, ia todos os anos com a família visitar a santa.
Mais informações
SINHORES – (12) 31051122 - sinhores.aparecida@terra.com.br
JOÃO RURAL (12) 9763-2815 joaorural@bol.com.br
VIRADO DE FRANGO CAIPIRA
• 1 frango caipira
• 1 copo de óleo
• sal com alho
• 1/2 colher de colorau
• cheiro verde picadinho
• água
• farinha de milho branca
Corte o frango em pedaços normais. Retire as gorduras, lave e deixe escorrer, secando bem a água. Coloque o óleo em uma panela e vá fritando os pedaços de frango lentamente. Quando dourar bem e soltar um molho, abra no meio e adicione o sal com alho, o colorau os cheiros verdes e deixe refogar um pouco. Coloque água quente e deixe cozinhar. Quando amolecer, com a carne soltando do osso, vá colocando a farinha de milho e mexendo sempre, até formar um pirão meio seco.
VIRADO DE FRANGO
• 1 frango inteiro
• farinha de milho branca
• cheiro verde
• meio copo de óleo
• uma colher de urucum
• tres folhas de louro
• sal a gosto.
Corte o frango em pedaços. Lave bem e retire a pele e as gorduras . Lave bem retirando a gosma da carne. Numa panela grande e grossa, coloque o óleo e o urucum e frite os pedaços de frango. Quando estiverem bem dourados, abra o meio e adicione o sal com alho, as folhas de louro e uma parte de cheiro verde picadinho. Refogue bem para que os temperos incorporem no molho. Adicione água quente até cobrir. Mexa bem, acerte o sal e deixe cozinhar tampado. Quando o frango estiver bem mole, num ponto quase soltando a carne do osso, coloque mais um pouco de cheiro verde e adicione aos poucos a farinha de milho. Vá mexendo até formar um pirão bem firme. Sirva com arroz com urucum.
VIRADO TROPEIRO DE FRANGO
1 frango
1 kg de batatinha
Farinha de mandioca
Cebolinha
Salsinha
Pimenta do reino
Sal com alho
½ copo de óleo
½ colher de urucum
Corte o frango em pedaços pequenos, como a passarinho. Numa panela grande e grossa, esquente o óleo, coloque o urucum e frite os pedaços de frango. Descasque e corte a batatinha, em pedaços médios e cozinhe com um pouco de sal até amolecer. Quando a carne amolecer, refogue a parte o sal com alho, o cheiro verde e a pimenta. Coloque esse molho e a batatinha cozida no frango e adicione água até cobrir. Quando ferver, retire do fogo. Quando esfriar, adicione a farinha de mandioca, fazendo o virado em ponto de farofa.
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quarta-feira, 10 de outubro de 2007
domingo, 3 de junho de 2007
Aparecida - Um retrato dos negócios
(Na foto: Rosemíria Siqueira: a vinda do papa frustrou muita gente, porque a mídia atrapalhou)
Uma feira com 2,5 mil barracas de camelôs existe em Aparecida há 40 anos. Os pontos passam de pai para filho
O comércio popular ao redor da Basílica de Aparecida é um forte atrativo da região para os visitantes. Uma feira com cerca de 2.500 ambulantes, localizada na Avenida Monumental, chama a atenção pela imensa variedade de itens. Ali, o turista-devoto encontra lembranças religiosas, a preços de R$ 0,99 a R$ 1,00.
Segundo o assessor de imprensa da Prefeitura, Rogério Braga, a feira resume o momento de estagnação econômica do município. ´Ela começou há 40 anos e, de lá para cá, as banquinhas passam de pai para filho. O pessoal se acomodou a ganhar alguns trocados em épocas de grandes romarias e não procurou evoluir´, diz ele.
A feira, que iniciou com seis barraquinhas, só reúne trabalhadores informais. ´A Prefeitura não está mais concedendo novas licenças de funcionamento porque já esgotou a capacidade local´, comenta Braga. Para ele, a grande carência da cidade é a falta de uma escola superior. ´Não temos uma faculdade sequer para formar pessoas em outras atividades´. As faculdades mais próximas ficam nas vizinhas Guaratinguetá e Taubaté; ou um pouco mais longe, em Campos de Jordão.
Como o movimento esperado durante a visita de Bento XVI não se confirmou — os hotéis registraram entre 25% e 30% de ocupação porque as operadoras cancelaram reservas, temendo superlotação —, a entrada da cidade parecia uma praça de guerra. Dezenas de guardadores de carro disputavam clientes e ofereciam ´hotel baratinho, a R$ 100 a diária, para casal, com refeições´.
Quem lucrou
Alguns estabelecimentos conseguiram lucrar, como o Hotel do Papa, que alugou sua parte superior para a geradora de imagens argentina Network, por cerca de R$ 15 mil. O ´quartel general´ da rede internacional dava uma visão privilegiada do altar montado fora basílica, onde Bento XVI abriu a V Conferência Episcopal da América Latina e Caribe.
Durante a estada do papa, toda a cidade parecia um grande mercado a céu aberto: banheiros químicos custavam R$ 1,00. Estacionamentos, também (preço por hora, com direito a chuveiro para banho). Quem quisesse deixar o carro fora, nas ruas próximas à basílica, tinha de pagar aos flanelinhas a bagatela de R$ 20,00.
Para Rosemíria Siqueira, a vinda de Bento XVI e a canonização do Frei Galvão deram o empurrão que faltava para Aparecida deslanchar no turismo religioso. ´O problema foi que a mídia atrapalhou. Estávamos esperando mais de 500 mil pessoas na semana da visita do papa e os jornais começaram a alardear superlotação, epidemia de dengue´, comenta. Resultado: vieram só 150 mil turistas-devotos. (SC)
ELEVAÇÃO DA RENDA - Trade está de olho nos turistas estrangeiros Aparecida possui mais de 200 restaurantes, incluindo os dos hotéis
Depois que os olhos dos católicos do mundo inteiro se voltaram para a terra da padroeira do Brasil — com a visita do papa Bento XVI em maio último —, o trade turístico de Aparecida do Norte está de olho nos visitantes internacionais. ´Quatro cardeais que estão participando do Celam confirmaram que, em julho, trarão grupos de religiosos, em vôos charters, para conhecer nosso santuário´, informa Ernesto José Elache, presidente do Sindicato de Hotéis e Restaurantes de Aparecida e Vale Histórico.
´Falta qualificação e aperfeiçoamento da mão-de-obra, para citar apenas o aspecto que cabe ao trade investir´, afirma Rosemíria Siqueira, ex-secretária de Turismo local. Segundo ela, embora a presença de estrangeiros venha crescendo, não há pessoal no Santuário, nos hotéis ou restaurantes com capacidade para atendê-los. ´Vem muito espanhol, argentino, alemão e americano. Eles gostam de levar a imagem de Nossa Senhora e algo que remeta ao Brasil. Mas é um sufoco para nos comunicarmos´.
Elache reconhece as deficiências de pessoal, mas defende que o poder público tem de entrar como parceiro, para capacitar a mão-de-obra em vários segmentos. Destaca o trabalho que o sindicato está fazendo com os restaurantes, para qualificação no preparo de alimentos, segundo regras da Anvisa. ´Este é um segmento que precisa melhorar´. Aparecida possui mais de 200 restaurantes, contando os dos hotéis, que empregam diretamente mais de 500 pessoas. ´Sem falar nas lanchonetes´. (SC)
Dentro do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, o número de ambulantes é limitado. Apenas 120 profissionais, denominadas ´cabideiras´, circulam nas alas da basílica. ´Só pode vender que tem esse colete. Mesmo assim, não podemos entrar na igreja´, explica apressada Erlinda Araújo Guimarães.
Como sustenta a família com a venda de artigos religiosos, ela diz que não pode dar entrevistas, para não perder as vendas. ´O tempo que eu passar conversando com você, poderia estar circulando, em busca de novos fregueses´, completa. Sem mais delongas, avisa que trabalha ali há 20 anos e que o aluguel do colete custa R$ 15,00. ´É nossa responsabilidade mantê-lo limpo´.
Depois de comprarmos algumas medalhinhas de Nossa Senhora Aparecida, ela aceita falar mais um pouco. ´A gente só pode vender terço. Até os modelos de medalhas que temos vem com tercinho junto´. Os produtos custam entre R$ 1,00 e R$ 20,00. Em época de forte movimento, dá para apurara mais de R$ 100 ao dia. (SC)
Infra-estrutura ainda é precária
O fluxo de visitantes cresce, mas a infra-estrutura da cidade deixa a desejar, para o turista de maior poder aquisitivo
Com nada menos do que 156 hotéis, com capacidade para abrigar 30 mil pessoas, Aparecida começa a colher as graças do crescimento da devoção a Maria. O fluxo de visitantes cresce vertiginosamente — foram 8,2 milhões em 2006 —, ao passo em que a infra-estrutura da cidade deixa a desejar, principalmente para o turista de maior renda. Boa parte da rede hoteleira é voltada para romeiros de baixo poder aquisitivo, similar às hospedarias populares de Juazeiro do Norte (CE), só que, numa versão melhorada.
Segundo Ernesto José Elache, presidente do Sindicato de Hotéis e Restaurantes de Aparecida e Vale Histórico, em 2006, a rede hoteleira local ganhou seis novos empreendimentos. Todos de médio porte. Sem revelar o montante de investimentos, conta que em apenas um estabelecimento, com 42 apartamentos, foram alocados R$ 3,6 milhões, sem contar mobiliário, roupas de cama e mesa, talheres, eletrodomésticos e eletroeletrônicos.
´No ano passado, 80% da rede hoteleira local foi reformada ou ampliada, após a confirmação da vinda do papa para cá´. Ele explica que, ´como a demanda de visitantes é maior que a oferta hoteleira, ainda tem muito hotel ruim ganhando dinheiro´. Mas isso vai mudar, porque a cidade começa a atrair empreendimentos de bandeira. ´Com a concorrência dos grupos de fora, que não se adequar, fecha´, diz.
Qualificação
O setor ainda peca, segundo Elache, na questão dos recursos humanos. Os hotéis empregam cerca de duas mil pessoas, com carteira assinada, mas a qualificação é muito baixa. ´Começamos em 2006 um trabalho de capacitação profissional, sem parceiros. Bancamos uma cozinha-escola, um apartamento-escola e uma recepção, para treinar pessoal´.
Com todas as dificuldades, o sindicato conseguiu formar 387 pessoas, em cursos teóricos e práticos de 100 horas-aula. Destas, 12 estavam nas ruas, sem qualquer perspectiva profissional. ´Hoje, oito estão empregadas´. A entidade cobra R$ 300,00 dos participantes, para custear a estrutura das aulas, o corpo didático e materiais, como uniformes. ´Na cozinha-escola, por exemplo, o aluno aprende a fazer pratos com peixes, aves e carne bovina´.
Em Campos de Jordão, onde funciona o curso de nível superior em hotelaria mais próximo, a mensalidade é de R$ 1.500. ´Impraticável para um funcionário nosso ou mesmo um empresário freqüentar´. Para Elache, o Sistema S deveria fazer parcerias com o setor privado para oferecer cursos de capacitação. (SC)
Capital da fé atrai romeiros desde o século XVII
O município de Aparecida do Norte tem 112 quilômetros quadrados e 36,2 mil habitantes. Mas, desde o século XVII, atrai milhares de romeiros. Foi nas águas do Rio Paraíba, que entrecorta a cidade, que pescadores encontraram a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, em 1717.
Quando passava pela Vila de Guaratinguetá Dom Pedro Miguel de Almeida, o Conde de Assumar, governador de Minas Gerais e São Paulo, foi pedido a vários pescadores que abastecessem a comitiva. Entre eles, estavam João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia, que navegaram pelo Paraíba por cerca de seis quilômetros sem nada pescar.
Ao chegarem ao porto de Itaguaçu, pescaram somente o corpo de Nossa Senhora da Conceição. João Alves guardou a imagem e, pouco abaixo, pescou a cabeça da santa. Todos ficaram impressionados porque, junto com ela, veio uma enorme quantidade de peixes. A partir daí, Aparecida se tornou o destino maior do turismo religioso no País. (SC)
ÉPOCA DE ROMARIA - Lojas chegam a funcionar 24 horas
Trabalho no Shopping da Fé é o que não falta: ´Em época de romaria grande, como agosto, o shopping funciona 24 horas´, diz Rosemíria Siqueira, proprietária da loja Nossa Vitória. Tempo parado mesmo só em fevereiro. ´Ou perto da quaresma, porque o pessoal fica sem dinheiro para fazer viagens longas´, argumenta.
Quando o período é de vagas gordas, a lojinha recebe cerca de 300 pessoas por dia, registrando ticket médio de R$ 20 por visitante. ´Alguns santuários são mais elitistas. Aqui, vem gente de todas as classes sociais´, comenta. Além dela e do esposo, trabalham no ponto mais duas funcionárias.
Dona Maísa, proprietária de dois quiosques de venda de lanches no Shopping da Fé, conta que somente um de seus pontos vale hoje R$ 120 mil. ´Comprei o local por R$ 60 mil e investi mais R$ 10 mil para construi-lo e equipá-lo. O aluguel de cada um sai por R$ 2 mil mensais e dá para viver bem com o que ganho aqui´, diz. Ela emprega cinco pessoas, a maioria da família, em cada ponto. ´Há 15 anos, quando João Paulo II visitou Aparecida, isso aqui não era nada. Hoje, é isso o que você está vendo: um mar de gente, muito trabalho, fé e empregos´, resume. (SC)
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