quinta-feira, 14 de junho de 2007

Plano de Turismo prevê crédito consignado a menos de 1%

A ministra do Turismo, Marta Suplicy, anunciou hoje o lançamento do Plano Nacional do Turismo 2007/2010. Em entrevista à Rádio Eldorado, de São Paulo, ela disse que o plano, na verdade, é uma viagem de inclusão. "Quando entramos no ministério, pudemos observar que, nos últimos 40 meses, havia sido registrado aumento no consumo das famílias, um crescimento de massa salarial bem alto, sendo 5% no ano passado e neste trimestre já houve 8%. São milhares de brasileiros que estão consumindo algo que eles nunca tiveram acesso", avaliou.



"Ocorre que muitas pessoas nunca viajaram. Por isso, nós começamos a estudar o que poderíamos fazer para as pessoas viajarem mais. Entre elas, os aposentados, que poderão usar o empréstimo consignado", disse a ministra.



Segundo Marta, a partir de agosto, serão lançados pacotes de viagem de até sete dias. Eles terão transporte incluído, hotéis de boa qualidade, a preços que deverão variar de R$ 500 a R$ 600. "Nós conseguimos bons preços porque a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil vão financiar, com juros de menos de 1% ao mês. Então, eles vão poder pagar em 12 vezes uma prestação mensal em torno de R$ 50 ou R$ 60", declarou.



"Nós vamos começar por São Paulo e Brasília. São Paulo por ser o maior emissor de turistas e ter o maior número de aposentados. Brasília será para descentralizar a questão turística e desenvolver o Centro-Oeste, atendendo ao presidente Lula, que pediu ações para diminuir as diferenças regionais."



Candidatura



A ministra também comentou os números do Ibope em relação ao nome dela para uma eventual candidatura à Prefeitura de São Paulo em 2008. Disse que isso mostra que a população da capital paulista percebeu que ela fez uma boa administração. No entanto, falou que está se sentindo muito bem à frente do Ministério do Turismo e não admitiu ser candidata no ano que vem.



"Eu fiquei feliz, gostei dos números, mas estou gostando muito do Ministério do Turismo porque dá para fazer muita coisa principalmente numa área de qualificação profissional que é a de hotelaria. Estou fazendo escola de hotelaria por esse Brasil todo e está sendo muito interessante essa parceria com o Ministério da Educação" - considerou. "Está tudo muito cedo, mas estou percebendo que estou adorando o que venho fazendo no Ministério do Turismo, onde dá para fazer muita coisa".

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Brasileiros vão poder realizar o sonho de conhecer seu país

Plano Nacional do Turismo 2007-2010



Brasileiros vão poder realizar o sonho de conhecer seu país

A ministra do Turismo, Marta Suplicy, afirmou que o Plano Nacional de Turismo 2007-2010, lançado nesta quarta-feira (13/6) em solenidade que teve a presença do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a prioridade nos próximos anos será fortalecer o mercado interno "principalmente por meio da inclusão de pessoas que nunca consumiram o turismo". Destacou que a estratégia faz parte de um grande esforço para geração de emprego e renda e de qualificação profissional.



"Muitos brasileiros estão consumindo o que antes não tinham acesso, do automóvel ao celular. Muitos ainda não viajaram e não conhecem nosso imenso Brasil, mas agora poderão realizar esse sonho", enfatizou a ministra ao lançar o Plano Nacional de Turismo 2007-2010 - Uma Viagem de Inclusão, em cerimônia que teve ainda a presença de centenas de autoridades, federais e estaduais, entre ministros, governadores, parlamentares, embaixadores e técnicos.



Num primeiro momento, serão contemplados aposentados e pensionistas do INSS, que terão acesso a pacotes de viagens, com juros abaixo de 1% e parcelas de R$ 50,00, graças a um programa que será lançado pelo Ministério do Turismo no segundo semestre deste ano. Posteriormente, serão lançados programas de acesso para trabalhadores e estudantes.



Lula - "Os homens e as mulheres que ajudaram a construir esse país vão poder conhecer os cartões-postais que povoaram seus sonhos desde criança. Vivemos hoje um novo tempo e esse programa de crédito consignado é apenas uma das fronteiras de expansão do turismo interno, pois nós vamos fazer muito mais", garantiu o Presidente Lula, que na cerimônia recebeu o plano das mãos da ministra Marta Suplicy. "Gostaria de dar os parabéns à minha companheira Marta, que não só deu continuidade ao excelente trabalho desenvolvido pelo seu antecessor, Walfrido dos Mares Guia, como também está dando novos rumos para o setor", elogiou.



O Presidente ressaltou o bom momento econômico vivido pelo país e pelo setor turístico, em particular, com números recordes registrados no último quadrimestre. "Atenção indústria automobilística, o turismo está vindo aí, para tirar seu lugar na balança comercial", brincou, lembrando a trajetória do compositor Heitor Villa-Lobos, cujas músicas internacionalmente conhecidas foram inspiradas pelas viagens que fez pelo país: "com o aporte de recursos que esse novo plano, alinhado ao PAC (Plano de Aceleração de Crescimento), trará para o turismo, vamos multiplicar as oportunidades para que milhões de brasileiros possam desfrutar do Brasil, como Villa-Lobos".



Lula defendeu que os estados façam propaganda de suas atrações turísticas em todas as regiões brasileiras: "turismo é um estado de espírito e precisamos motivar os brasileiros a deixarem suas casas e viajarem nos finais de semana; mas é fazer propaganda de Belém não em Santarém, mas em São Paulo e Rio de Janeiro". O Presidente também garantiu que o governo vai trabalhar para ampliar a malha aérea dentro do Brasil e em direção à América Latina. "Vamos investir em aviões menores, com 50 lugares, por exemplo, para as viagens regionais; e também queremos ficar mais próximos dos nossos irmãos latino-americanos, de quem estamos ao mesmo tempo tão perto e tão distantes", afirmou.



Mercado interno - Ao destacar a prioridade será "dar musculatura ao mercado interno", a ministra Marta Suplicy também garantiu que continuará a ampliar os investimentos na promoção do Brasil no exterior, consolidar a política de descentralização e a gestão participativa.



Resultado de uma parceria entre os ministérios do Turismo e da Previdência, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, aposentados e pensionistas do INSS poderão adquirir pacotes de até sete dias, com transporte incluído e hotel de boa qualidade, por preços entre R$ 500 e R$ 600, que poderão ser divididos em até 12 vezes, com juros abaixo de 1%. "Como seguimos a orientação do presidente Lula de diminuir as desigualdades regionais, os pacotes terão por destino regiões que mais necessitam de emprego e renda, em especial o Nordeste brasileiro", resumiu.



Marta Suplicy afirmou ainda que o Ministério do Turismo já se prepara para que o Brasil tenha condições de oferecer instalações de qualidade aos turistas que vierem para a Copa do Mundo em 2014. "Encomendados um estudo à Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesse sentido, pois não adianta chegar na véspera e descobrir que não comportamos o volume de turistas que virão. Vamos trabalhar aos pouquinhos e teremos, paulatinamente, hotéis ‘nos trinques’", garantiu a ministra, que convocou todos os presentes a votarem no Cristo Redentor para uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo: "essa vitória nos trará US$ 89 bilhões e 250 mil novos empregos, com o aumento de turistas que proporcionará".











Ass. de Comunicação do Ministério do Turismo - ASCOM



Ass. de Comunicação da Embratur - ASCOM

domingo, 10 de junho de 2007

Preocupações da Igreja

Padre Brendan Coleman Mc Donald
Jornal "O Povo" - Fortaleza - CE

09/06/2007

Os bispos que participaram da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe que terminou no dia 31 de maio, próximo passado, em Aparecida, São Paulo, manifestaram algumas preocupações da Igreja Católica. Entre as quais podemos mencionar os seguintes:

a) Preocupação com a evangelização da cultura. Aqui no Brasil, como no resto da América Latina, estamos vivendo uma cultura predominantemente centrada no indivíduo. Os bispos reconheceram o valor da liberdade e seus anseios de justiça e de paz, cujas raízes cristãs não devem ser ignoradas. Porém, a Igreja reconhece também um humanismo atrofiado, não integral, que submete a pessoa humana aos imperativos da produtividade e do lucro, à busca de bens materiais e do prazer. Assim, o ser humano se fecha em si mesmo e não entra em comunhão com os outros e com Deus. Esse fato é um dos principais responsáveis pelos males que presenciamos nas nações da América Latina: fome, doenças, guerras, desigualdades sociais, corrupção, fragilidade das relações humanas e afetivas. Esta cultura apresenta luzes e sombras, valores e contravalores, fatores de vida e de morte, elementos de solidariedade e de egoísmo, e os bispos sentem que é necessário confrontá-la com a luz da razão e do Evangelho. A evangelização da cultura deve acontecer em todos os setores da vida social e cultural. Esse fato já demonstra a necessidade de que todos os membros da Igreja participem, embora de modos diversos. Cada um deve ser a luz de Cristo em sua família, em seu ambiente de trabalho, entre seus amigos, em sua carreira profissional, em sua participação no mundo da cultura, da política, da opinião pública. Tudo isso é um grande desafio para a Igreja Católica;

b) Os bispos sentiram a necessidade de evangelizar o mundo da comunicação social. A influência dos meios de comunicação social que formam fortemente a mentalidade dos nossos contemporâneos, muitas vezes em oposição aos valores evangélicos, exige uma atenção especial da Igreja neste setor, sobretudo por causa da impressionante globalização cultural vigente;

c) Um das maiores desafios da Igreja Católica é a pastoral das cidades, especialmente das grandes metrópoles. A maioria da população latino-americana vive nas cidades dentro de uma cultura urbana com características próprias e inéditas. A pastoral urbana deve, portanto, renovar-se em sua linguagem, em suas práticas e em suas estruturas. Não é uma pastoral especializada, mas um novo estilo de fazer pastoral;

d) Os bispos sentiram a necessidade de promover com mais esforço a dignidade humana. Os anseios da vida, paz, fraternidade e felicidade, que não encontram resposta em meio aos ídolos do lucro e da eficácia, a insensibilidade diante do sofrimento alheio, a corrupção das classes dirigentes, a falta de liberdade religiosa (em alguns países), os ataques à vida intra-uterina, e todas as modalidades de violência, indicam a importância da luta pela vida e pela dignidade e integridade da pessoa humana. Também se impõe o acesso de todos a uma educação de qualidade, à moradia, ao trabalho e à saúde. Na realidade contemporânea tudo isso não será fácil a fazer, mas urge maior difusão da doutrina social da Igreja;

e) os bispos resolveram renovar e consolidar a opção preferencial pelos pobres. Esta opção se apresenta hoje com novos desafios que exigem sua renovação, para que manifeste toda a sua raiz, sua urgência e sua riqueza evangélica;

f) Os prelados reunidos em Aparecida mostraram grande preocupação com a expansão das seitas na América Latina, sobretudo por serem, na sua maioria, católicos os que emigram para esses grupos religiosos. Carência de agentes pastorais, evangelização inadequada no passado, cuidado pastoral deficiente para com os pobres e os afastados e ausência de planos pastorais para os batizados que não participam mais em nossas comunidades são algumas causas desse fenômeno. Os bispos propõem uma séria reflexão por parte da Igreja sobre este êxodo e uma ação pastoral correspondente;

g) finalmente, os bispos mostraram preocupação em promover um laicato mais ativo na Igreja. Para que esta verdade se torne realidade, será necessário formar melhor os leigos, promover ativamente e sem temor o caráter cristão-secular de sua vocação, dar-lhes espaço na Igreja, respeitá-los em suas opiniões e iniciativas, abrir-lhes espaços para que participem nas decisões da comunidade, enfim, tratá-los como adultos numa linha de comunicação e participação como compete à sua vocação batismal.

Esta síntese das contribuições recebidas não está completa, mas brevemente haverá as conclusões da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe publicadas onde poderemos encontrar os demais desafios que a Igreja Católica tem que enfrentar com urgência.

Padre Brendan Coleman Mc Donald é redentorista, doutor em Educação, Psicologia e Teologia e professor-titular na UFC

sábado, 9 de junho de 2007

Jovens fazem tapete de 21 metros na Esplanada

Do CorreioWeb

O feriado de Corpus Christi começou cedo para a juventude cristã do Distrito Federal. Desde às 7h desta quinta-feira, a concentração de jovens já era intensa na Esplanada dos Ministérios, onde será celebrada a Festa da Eucaristia, a partir das 17h. Sob os acordes de um violão, a nova geração trabalhou com entusiasmo a fim de elaborar um tapete com 21 metros de cumprimento, que simboliza a passagem de Jesus Cristo nas cidades por onde ele profetizava. Cerca de 60 mil pessoas são aguardadas para a missa da Esplanada, que vai celebrar o corpo do filho de Deus. O evento deve deverá terminar às 18h com a queima de fogos.

Quem passou pelo local no início desta manhã assistiu a preparação para a festa e o corre-corre dos organizadores. Os jovens usaram materiais como milho, sal, borra de café e outros ingredientes para a confecção do tapete. Seguindo os passos de Jesus, é por ele quem passará o arcebispo metropolitano da capital federal, o bispo Dom João Braz de Aviz, e o pároco da Catedral de Brasília, monsenhor Marcony Vinícius Ferreira. Segundo eles, o envolvimento dos jovens para a celebração da missa retrata o perfil da juventude católica. “Eles não fizeram hoje um simples tapete. Mostraram que em Brasília há jovens preocupados com a paz, ao invés de queimar índios e brigar”, observou monsenhor Marcony.

O tapete elaborado pelos jovens possui ao todo 21 imagens. Os temas deste ano abordaram a visita do Papa Bento XVI ao Brasil no mês passado e a canonização de Frei Galvão. Ao total, 19 grupos jovens estiveram envolvidos na tarefa. O coordenador da confecção do tapete, Aluísio Parreiras, conta como foi o processo de escolha dos jovens artistas. “Todo ano a disputa é grande. Tivemos que escolher os melhores desenhos. Infelizmente, algumas pessoas acabam ficando de fora nesse processo”, conta.

Seguindo a tradição cristã, o feriado de Corpus Christi é representado pela Eucaristia, símbolo maior da presença de Jesus entre os fiéis. O corpo e sangue de Cristo se transformam em pão e vinho, tema abordado pelo funcionário público Anphrisio Romeiro, 36, que também ajudou o trabalho dos jovens. Este é o terceiro ano consecutivo que ele participa da atividade. “É uma experiência muito gratificante para todos nós”, diz o servidor, que também levou consigo a filha de dez anos. “Devemos nos espelhar nas pessoas de bem, que deram exemplo. Assim fez Cristo. E quero passar isso adiante, principalmente para minha filha”, explica.

Outra tradição do Corpus Christi no DF é a utilização do Papa Móvel. E este ano não poderia ser diferente. O automóvel usado pelo Papa João Paulo II, durante visita ao Brasil em 1980, 1991 e 1997, também é uma das atrações para quem vai à Esplanada dos Ministérios neste feriado religioso. É no Papa móvel que Dom João Braz de Aviz e o monsenhor Marcony farão a volta pelos ministérios, antes de passarem pelo tapete elaborado nesta manhã. Neste ano, a benção será dedicada aos doentes, aos governantes e à família.

Juventude cristã
A presença dos jovens na igreja é cada vez mais freqüente. Somente hoje, de acordo com os levantamentos da Arquidiocese de Brasília, mais de 40% do total de fiéis cristãos no DF são jovens. No entanto, eles afirmam que não é tarefa fácil seguir os ensinamentos da igreja. “Hoje em dia, há uma série de tentações mundanas. Acho que é por isso que os jovens cristãos, que renegam essas coisas, são taxados de caretas”, afirma a estudante Fernanda Perrira Braz, 26 anos. Ela não consome bebidas alcoólicas e preferiu se aproximar do grupo Jovens Organizados Instituindo o Amor (Jóia). “Somos todos libertos e não precisamos de nada material para sermos felizes”, diz Fernanda.

TURISMO RELIGIOSO no Festival do Turismo

08/06/2007 07:50

Não é de hoje que o turismo religioso atrai milhares de pessoas no mundo. Destinos como o Vaticano, na Itália, ou o Santuário da padroeira Nossa Senhora Aparecida, no estado paulista, atraem turistas de todo o mundo, de diferentes crenças e origens. Segundo o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), existem cerca de 15 milhões de brasileiros viajando anualmente em busca de lugares e templos religiosos.
Valorizando este nicho, as organizadoras do 19º Festival do Turismo de Gramado, decidiram montar o Salão de Turismo Religioso, Místico e Esotérico para a próxima edição do evento, que ocorre entre 22 e 25 de novembro.
De acordo com Marta Rossi e Silvia Zorzanello, este é um segmento que cresce a cada ano, mas ainda necessita de profissionalização. 'Por este motivo decidimos montar um Salão específico sobre esse tema, para oportunizar a troca de informações e a divulgação de roteiros nacionais e estrangeiros', salientou Silvia. 'Vimos o quanto a vinda do Papa Bento XVI movimentou o Brasil e os países vizinhos', recorda Marta. Só em Aparecida (SP), estima-se que o Papa tenha sido recebido por 500 mil pessoas.
Segmentação do Festival
Há anos a segmentação já é uma premissa do Festival do Turismo. Nas últimas edições, o evento tem focado em nichos do mercado turístico que estão em expansão e, por este motivo, a cada ano tem apresentado um Salão diferente. Assim, o Festival do Turismo de Gramado, que agora irá oferecer o esperado Salão de Turismo Religioso, Místico e Esotérico, vai reprisar sucessos como o Salão de Ecoturismo e Turismo de Aventura, o
Salão de Tecnologia para o Turismo, o Cooperativado Touristcard, o Salão do Turismo Rural e o Salão de Turismo Saúde, que foi lançado com muito sucesso em 2006.
Apesar de ainda não existirem muitos dados consolidados sobre o turismo religioso no Brasil, uma pesquisa feita pelo Ministério do Turismo em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostra que vem aumentando o número de turistas que se deslocam internamente com motivação religiosa, o que abre oportunidades para novas empresas, sobretudo de serviços. De acordo com o estudo, 3,2% do total de turistas viajaram, em 2006, por motivos religiosos. Em 1998, esse percentual era de 2,7%.
Destinos mais procurados
Desde 313, Roma tornou-se o mais importante receptivo turístico no Ocidente, onde, até hoje, há fluxo de maior volume e de maior constância de turistas e de visitantes. No Brasil, os destinos que mais se destacam são: Juazeiro do Norte, no Ceará, terra do padre Cícero; Nova Trento em Santa Catarina, onde se encontra o Santuário de Madre Paulina; Belém do Pará, na festa do Círio de Nazaré e, a mais conhecida, Aparecida do Norte, no estado de São Paulo, onde está o Santuário da Padroeira Nossa Senhora
Aparecida. Anualmente, a cidade de Aparecida, com pouco mais de 36 mil habitantes, recebe em torno de 8,5 milhões de romeiros, sendo considerada o maior pólo de turismo religioso do País.
Roteiros nacionais e estrangeiros

Entretanto, outros destinos alternativos também poderão possuir um estande no 19º Festival do Turismo de Gramado. Uma das opções cogitadas e que atrai dezenas de visitantes, diariamente, à região serrana é o Centro Budista de Três Coroas (RS), chamado de Khadro Ling. Outra opção é o Templo da Boa Vontade, em Brasília (DF). Também é provável que o Santuário da Santa Paulina tenha um representante na feira, uma vez que já estão sendo mantidos contatos. O local, em homenagem a primeira santa no Brasil a ser canonizada, fica em Nova Trento (SC), sendo considerado o maior pólo de turismo religioso no Sul do País. Além disso, estão sendo realizados outros inúmeros contatos, inclusive para trazer roteiros internacionais, como Santiago de Compostela, na Espanha.
Informações: www.festivalturismogramado.com.br

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Confiança: a chave

Sabe-se que, em grandes empresas, acontece uma distorção no mínimo interessante quanto a questão da confiança. Aqueles que são encarregados de manter um relacionamento produtivo e seguro entre a empresa e seus clientes normalmente estão posicionados no final da hierarquia organizacional. É um paradoxo que se alimenta da cultura que favorece o lucro em curto prazo em detrimento do princípio de longo prazo. E isso não é bom para ninguém, porque não cria sustentação - elemento fundamental para que a empresa adquira a confiança do mercado.

Quanto o cliente confia cada vez menos na empresa, ocorre um processo de mudança de visão e consequente busca de novos parceiros ou fornecedores que, no mínimo, desacelera as ações lucrativas e em casos extremos, elimina a empresa do mercado.

Esses são exemplos claros, que têm levado as empresas a mudarem de comportamento, forçadas pela natural percepção de que entram em desvantagem competitiva quando atuam de maneira a perder clientes em virtude de atitudes focadas exclusivamente na obtenção de receitas de curto prazo.

O mais interessante é que, tendo em conta a disseminação dessa percepção, os próprios funcionários começam a agir de maneira egocêntrica, perdendo o sentido de colaboração e realizando ações de sobrevivência, pressupondo que em algum momento essa organização em que atuam irá "quebrar". A produtividade desce a níveis alarmantes e caóticos nessas circunstâncias, até porque a reação própria dos dirigentes é a de "forçar" a ação usando todos os mecanismos de pressão conhecidos.

No livro "A velocidade da Confiança: um fato que muda Tudo", de Stephen R. Covey, são apresentados dados estatísticos que mostram que apenas 49% dos funcionários "confiam e se sentem seguros" em ralação à direção da empresa em que trabalham, e que 79% dos funcionários dizem que durante o último ano já observaram, em sua empresa, comportamentos ilegais ou que ferem a ética.

O assunto "confiança" tende a ser o próximo grande tema dos negócios. Existem vários níveis em que a confiança opera, que vão da "familiaridade básica com a marca até um sentimento de completa segurança na empresa. No nível mais alto, entretanto, a confiança implica em uma propensão de ambas as partes em expor a sua vulnerabilidade, tendo a segurança de que ninguém irá abusar desses dados ou explorá-los e que os interesses de cada um serão respeitados. Os clientes permanecerão fiéis apenas às empresas em que eles confiam. E pensando na sua própria reputação, os clientes só recomendarão uma empresa a amigos e familiares se eles mesmos se sentirem seguros.

Pensando nisso, existem dois ítens esperados de uma empresa antes que um cliente passe a confiar : competência e intenção. Você precisa se sentir confortável ao saber que a intenção da empresa é satisfazer os seus interesses e você tem que se sentir seguro que eles terão a competência e capacidade para fazer isso. Não adianta uma empresa sem competência ter boas intenções - você continuará não confiando neles. Da mesma forma você só só confiará em uma empresa competente se acreditar que as intenções desta são boas, ou seja, que ela irá respeitar seus interesses e não tentará tirar vantagem de sua vulnerabilidade.

Confiança, portanto, deve envolver sempre uma combinação de competência e intenção.


Nelson Marques
Consultor Organizacional
nelsonconsultor@gmail.com

segunda-feira, 4 de junho de 2007

“A questão do planejamento ”

“A questão do planejamento ” 



Carlos Maisel  maisel@ig.com.br



Hoje, sairemos da prospecção do futuro da cidade de Aparecida e faremos uma rápida avaliação da passagem de Sua Santidade o Papa Bento XVI entre nós.

È evidente que a cidade ganhou muito com a visita do Papa e deverá ganhar muito mais nos próximos anos. Vamos tentar avaliar setorialmente o que aconteceu.



1. A Visita – Sucesso Total



2 O Papa – sem dúvida atingiu o objetivo de massificação e desmistificação de sua imagem junto ao público brasileiro.  O carrancudo cardeal alemão deu lugar a um pastor simpático, alegre, acessível e humano.



O SANTUARIO NACIONAL – mais uma vez a organização impecável e profissional , cobrindo todos os aspectos possíveis, desde a infra-estrutura dos eventos: a missa, a abertura do CELAM , os deslocamentos , a hospedagem do Papa , até a  contratação dos hotéis, passando pelo relacionamento com a mídia.



A IGREJA CATÓLICA NO BRASIL – Conseguiu uma ampla demonstração de força em todos os aspectos : A força da fé católica demonstrada pela quantidade de pessoas presentes aos eventos somada a audiência dos meios de comunicação . Todos os veículos de comunicação, inclusive muitos não católicos reconheceram a liderança moral e espiritual de Sua Santidade.



FREI HANS STAPPEL E A FAZENDA DA ESPERANÇA-Vitória a  parte : conseguiu incluir a obra junto aos dependentes químicos na rota do Papa com exposição mundial nos meios de comunicação. As Fazendas da Esperança firmam-se definitivamente como uma obra de atuação globalizada.Conseguiu verbas de diversas fontes desde o Governador Serra até o Prefeito Junior Filippo de Guaratinguetá.

AS CIDADES DE GUARATINGUETÁ E POTIM- Nãoconseguiram aproveitar a passagem do Papa, pelo fato de que o Pontífice não parou em nenhum instante em nenhuma das duas cidades. A pergunta é: foi o protocolo que foi seguido à risca ou faltou iniciativa das respectivas autoridades municipais.



O CENTRO DE APOIO AO ROMEIRO -Tem a tendência devido a sua localização estratégica e aos serviços prestados, de ganhar sempre. Na noite da véspera da missa e durante tudo o dia seguinte conseguiu faturar muito bem.



AS ENTIDADES PATRONAIS- A ACIA e o Sinhores de Aparecida se envolveram e trabalharam desde a notícia da vinda de Sua Santidade . Foi mais de um ano com dezenas de reuniões de todo o tipo.

O Sinhores deu a partida com uma ampla pesquisa qualitativa do parque hoteleiro que serviu de fundamentação para a decisão da hospedagem dos participantes do V Celam em nossa cidade ( havia a possibilidade de hospedagem em outras cidades ou junto a entidades religiosas).

Cabe lembrar que a decisão da escolha foi 100% da equipe precursora do V Celam.



O trabalho do Sinhores estendeu-se pelo apoio dado a todos os hoteleiros que o procuraram. A verdade é que o individualismo , o voluntarismo e a falta de coesão da classe hoteleira impediu que esse trabalho pudesse ser mais eficaz.



A Acia além de participar de tudo o esquema teve papel fundamental na busca de patrocinadores ( bandeirolas,  outdoor , entre outros) O entrosamento das duas entidades tem sido permanente e muito produtivo.



A PREFEITURA- conseguiu, infelizmente em cima da hora verbas importantes para a cidade que estão se traduzindo em melhorias permanentes. A impressão que fica é que a cidade ainda carece de um melhor planejamento que possa aproveitar os eventos e a força da Cidade Santuário. È necessário que sejam produzidos projetos viáveis, com potencial e que aproveitem o bom transito do Prefeito junto aos Governos Federal e Estadual. Uma, ainda maior, aproximação com as autoridades religiosas poderia potencializar os resultados com ganho para todos.



A MÍDIA – Nunca, em nenhum momento, a Cidade esteve tão exposta a mídia Nacional e Internacional. Emissoras, do mundo todo transmitiram diretamente da cidade. Como exemplo podemos citar dois casos: 1. Quanto valem 10 minutos do Jornal Nacional transmitido “ ao vivo” com a Fátima Bernardes diretamente da cidade ? 2. Quanto vale a transmissão direta da CNN em espanhol para todo o mundo? A isso temos de somar o grande trabalhos da TV’s católicas.: TV Aparecida, Rede Vida, Canção Nova, Século XXI. Falta acrescentar o Rádio, os Jornais e as Revistas. È evidente de que tudo não foi tão cor de rosa assim. Quando os meios de comunicação começaram a informar que a cidade iria ser invadida por, pelo menos , 10 mil ônibus , que esses ônibus ficariam segregados a distancias nada razoáveis do Santuário. Informaram, também , que os hotéis estariam caros e lotados e que haveria uma possível epidemia de dengue rondando a cidade, o nosso público nº 1 – O Romeiro, resolveu ficar em casa e aproveitar a excelente cobertura pela TV.



Não podemos esquecer NUNCA que a imprensa brasileira é costumeira em dizer que a seleção já é campeã antes do inicio da Copa do Mundo. Essa grandiloqüência precisa ser levada em consideração quando planejamos eventos que envolvam grandes massas.



OS HOTEIS E O CENTRO VELHO – A teoria da flexibilidade da demanda diz que diferentes produtos reagem diferentemente em relação as variações de suas preços. Simplificando: é evidente que havia espaço para um remanejamento de tarifas do nosso parque hoteleiro. Afinal, ninguém discute que as tarifas de hospedagem são historicamente baixas e que tem havido um esforço permanente e continuo de reformas, ampliações e inauguração de hotéis ( cada vez melhores) em nossa cidade.

Outra afirmação verdadeira é que o fluxo anual de oito milhões de visitantes  anuais, corresponde a , apenas ,  5 % da população católica do Brasil.



O fato é que, se eu vou majorar as minhas tarifas, eu preciso levar em conta o fato de que talvez o meu hóspede atual não aceite pagar o novo preço e que é evidente de que eu preciso buscar novos clientes.

Aí, é que a Roda pegou. De um lado a mídia, poderosa, atuando 24 hs por dia, com informações muitas vezes discrepantes. De outro lado, 150 hoteleiros, na moita, à mineira, silêncio total , à espera do milagre. O milagre que traria levas de consumidores ansiosos, suplicantes por um abrigo, dispostos a pagar qualquer preço por uma hospedagem.

Precisamos lembrar, que apesar das melhorias havidas, a imagem do parque hoteleiro de Aparecida no mercado é de Hotéis modestos, tacanhos, apertados e de péssimos serviços.



Até hoje não foi feito nenhum esforço de comunicação integrada para melhorar essa situação. Em nenhum momento os hoteleiros buscaram apoio e informação junto as suas entidades para entender e tentar solucionar as pendências.



Quando veio a notícia ( com muita antecedência ) de que o Papa passaria por São Paulo, todo o planejamento da venda de hospedagem, que na verdade NUNCA foi efetuado, precisaria ser revisto. Quanto a questão dos comerciantes do Centro Velho, eles precisam compreender que eles estão umbilicalmente ligados aos hotéis. Ou seja: hotéis  lotados = sucesso, hotéis  vazios = fracasso. Não tem outra solução.



OS AMBULANTES – A minha opinião pessoal é que faltou um gesto de grandeza. È necessário que, em alguns momentos, nós abramos mão do ganho imediato em favor de uma imagem positiva e do ganho futuro. Somente um exemplo: Imaginem o Papa Móvel passando pela Av Monumental e sua repercussão.É isso aí . A avaliação representa a minha opinião pessoal e estou aberto a debater o assunto e aceito e respeito humildemente a opinião de todos . Carlos Maisel



domingo, 3 de junho de 2007

Companhias faturam com a visita ilustre de Bento XVI ao País

Diário do Nordeste - Fortaleza (CE)

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As empresas aproveitaram a presença de 1,2 milhão de fiéis no Campo de Marte para lucrar, com a venda de esfihas, sorvetes, água e artigos religiosos (Foto: Eduardo Queiroz)



Empresas de vários segmentos aproveitaram para lucrar com produtos e serviços ligados à visita do sumo pontífice



A vinda do papa Bento XVI ao Brasil, em maio último, foi mais que um momento de orações e reflexões por parte do rebanho de 124 milhões de católicos do País. Representou uma oportunidade de marketing e concretização de vendas para empresas de diversos segmentos. De operadoras de telefonia móvel, a fabricantes de banheiros ecológicos, passando por vinícolas e até empresas de fast food: cada uma aproveitou seu quinhão.



Nem mesmo a missa de canonização do primeiro santo brasileiro — Antônio de Sant´Anna Galvão, o Frei Galvão — escapou das estratégias montadas para atrair o público e ampliar os negócios. No meio do Campo de Marte, localizado na Zona Norte da Capital paulista, podiam ser vistos, por exemplo, os vendedores do Habib´s, alimentando os 1,2 milhões de fiéis presentes, com suas famosas esfihas, vendidas a centavos de real.



A multinacional Nestlé disponibilizou cerca de 80 vendedores ambulantes de água e sorvete no Campo de Marte. Para garantir o picolé vosso de cada dia, a empresa deixou três caminhões refrigerados a postos. O esquema na Nestlé não é novo. Conforme Jonny Way, diretor de novos negócios da empresa, a estrutura foi semelhante à utilizada em grandes eventos, como shows, jogos de futebol e corridas de Fórmula 1.



Telefonia e CD




Músicas, fotos do papa e de santos, mensagens de texto com palavras do pontífice e trechos da Bíblia foram alguns dos serviços que as operadoras TIM e Claro ofereceram aos fiéis, durante o período de visita papal em São Paulo. Filão explorado também entre os evangélicos (apenas mensagens com passagens bíblicas), este tipo de serviço engorda, a cada dia, o faturamento das companhias telefônicas.



Em homenagem ao momento único na história da Igreja do Brasil, a Paulinas-COMEP lançou, ainda em abril, o CD ´Frei Galvão - O Primeiro Santo Brasileiro´. Com tiragem de 15 mil exemplares, o produto traz a vida do frei e detalhes de alguns dos seus numerosos milagres, entrecortados por músicas.



O valor de venda é R$ 13,20, nas lojas Paulinas. Segundo a assessoria de imprensa da rede varejista de artigos religiosos, houve uma procura bem grande pelo CD, principalmente depois da canonização de Frei Galvão. ´Temos CDs vendidos lá no Mosteiro da Luz. Algumas lojas têm nos procurado para fazer encomendas´. (SC)



DE NORTE A SUL
- Miolo manda vinhos, e cardeal quer lucrar R$ 1,8 mi com caderno



Não foram apenas as empresas instaladas em São Paulo que aproveitaram a presença do Sumo Pontífice. Daqui de perto do Nordeste, mais precisamente do Vale do São Francisco (divisa de PE com BA), seguiram garrafas de vinhos brancos para adoçar o paladar do Santo Padre. A Miolo Wine Group realizou uma seleção de vinhos e confeccionou um selo especial em homenagem à vinda de Bento XVI ao Brasil.



Entre as garrafas, que foram enviadas ao Mosteiro de São Bento, em SP, local onde o papa ficou hospedado, estavam as do espumante Terranova Moscatel, produzido na Fazenda Ouro Verde, no Vale do São Francisco. Os vinhos fizeram parte da carta que acompanhou o cardápio da chef mineira Mazzo França Pinto.



A empresa Cardeal, de Serafina Corrêa (RS), lançou os ´Cadernos da Fé´, linha especial com imagens de santos. As vendas devem alcançar 500 mil unidades, totalizando R$ 1,8 milhão até o fim do ano, o equivalente a 1% do faturamento previsto para 2007. (SC)



ANÁLISE - SAMIRA DE CASTRO: Um papa quase pop



Maior país católico do planeta, o Brasil recebeu de braços e coração aberto o papa Bento XVI. A cada dia de acolhida, tanto em São Paulo quanto em Aparecida e Guaratinguetá, o alemão carrancudo Joseph Ratzinger não resistia às demonstrações explícitas de afeto do povo brasileiro. E correspondia com sua saudação tradicional e um sorriso de canto de boca. ´O papa vos ama´, não parava de repetir em cada evento, ao passo em que a platéia vinha ao delírio, gritando: ´Beeetoo!´ e ´Papa eu também te amo´.



O momento mais visível do ´namoro´ com o público foi na Fazenda Esperança, em Guará, onde o sumo pontífice quebrou todos os protocolos e fez a exagerada segurança suar camisas e coletes de verdade. Sim, porque até então, os centenas de federais, civis e militares se limitavam a cumprir o roteiro, barrando qualquer um que não tivesse crachá, credencial e passe de acesso. Aliás, a imprensa foi a que mais sofreu para desempenhar seu trabalho, com listas e filas intermináveis para por a mão nos tão cobiçados passes que davam acesso limitado aos locais onde papa estaria.



Padres, freiras, bispos, arcebispos e cardeais viraram tietes. Num dos eventos mais marcantes para os religiosos, a oração do rosário na Basílica de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, eles pareciam paparazzi: subiam nos bancos da igreja com celulares e câmeras em punho para tentar fotografar seu pastor. E deliravam a cada Pai Nosso. Freirinhas se emocionaram e seminaristas foram às lágrimas.



Tudo no Brasil é comoção. Não podia ser diferente com um papa não tão pop, mas quase lá. Mesmo quem chegou comparando-o com o carismático e monumental João Paulo II, depois do primeiro aceno no papamóvel, logo estava íntimo do sucessor de Pedro. Coisa de brasileiro. Não! De argentinos, chilenos, paraguaios, latinos...



O futuro da Igreja Católica, a Celam, os discursos inflamados contra o aborto. Tudo ficou em segundo plano. Valia mais o sorriso, o thauzinho, a pose de ´vampirinho com braços abertos´ de Hatzinger. Se Bento XVI guardará alguma recordação? Talvez. Os brasileiros já o guardam na memória afetiva.

Romeiros se encantam com o papa em Aparecida





DOS QUATRO CANTOS DO MUNDO

Romeiros se encantam com o papa

 

Em meio a 150 mil pessoas, achar pelo menos um romeiro conterrâneo em Aparecida do Norte foi tarefa árdua. Depois de rodar duas horas debaixo do sol forte, antes de a missa campal em Aparecida começar, fomos, mais uma vez, no Shopping da Fé, em busca de personagens. Transitando por uma das alas do local, surge em seu Agenor Barbosa e sua esposa, dona Socorro Holanda. ´São do Ceará?´, perguntamos. ´Sim!´, respondem. Eles vieram numa excursão do Sesc. ´São 28 pessoas. Viemos do Ceará, passamos por Caldas Novas e São Paulo e agora, em Aparecida, queremos ver o papa´, contou seu Agenor.



Paulista de nascimento, ele mora em Fortaleza há sete anos. Já conhecia Aparecida. ´Isso aqui agora está muito diferente de dez anos atrás´. Além da estrutura, destacou os preços bons. ´Pensei que fosse encontrar uma exploração´. Antes de bater perna com a esposa no Shopping da Fé, ele tratou de levá-la à 25 de Março e ao Braz, tradicionais locais de compras em São Paulo.



´A gente aproveitou para andar de metrô. O de Fortaleza, ninguém sabe quando é que fica pronto´, emendou dona Socorro. Para ela, um dos momentos mais emocionantes foi quando Bento XVI apareceu na janela do Mosteiro de São Bento. Ele diz que a vinda do papa é ´importante para a espiritualização do nosso povo´.



Rosa Maria Peralta, 28 anos, da Pastoral da Juventude do Paraguai, estava maravilhada com o Brasil, seus santos e sua gente. ´Viemos do Paraguai num grupo de 45 pessoas, participar do encontro do papa com os jovens no Pacaembu, numa viagem que durou sete dias´. O que mais a impressionou foi a hospitalidade do povo brasileiro. ´Passamos a noite em vigília para a missa do Frei Galvão. Achei a história dele linda´. (SC)



Preços estão mais salgados este ano



    * ´Estamos num grupo de 30 pessoas, de Imperatriz, no Maranhão. Saímos de ônibus fretado com muita disposição para ver o papa Bento XVI. A gente sempre vem para Aparecida do Norte porque somos romeiras, devotas da nossa padroeira. Também somos fiéis a São José de Ribamar, o padroeiro do nosso estado. Desta vez, achamos que os preços estão mais salgados do que nas datas tradicionais. A viagem custou R$ 900, com direito a hospedagem. A alimentação fora do hotel é por nossa conta. A gente passou um ano se programando para ter dinheiro para poder comprar algumas lembrancinhas. O comércio aqui é muito intenso e sempre dá para levar uma medalha para alguém conhecido´. (SC) -  Felina Milhomem, Aposentada

    * ´Trabalho com conserto de sofás e, nas horas vagas, ou quando vai ter algum evento grande aqui em São Paulo, eu vendo alguns produtos. Aproveitei a vinda do papa para vender camisas e CDs. Está dando tudo certo, apesar do fri e da chuva´ - Paulo Morais da Silva, Vendedor ambulante

Santuário gera mil empregos

ESTRUTURA IMPRESSIONA

Santuário gera mil empregos


A estrutura de acolhimento aos romeiros do Santuário Nacional de Aparecida impressiona pelos números

Quase mil funcionários trabalham para que os visitantes sintam-se em casa. Só de banheiros, são 850, além de cerca de 250 bebedouros, espalhados pelo Santuário. No subsolo da igreja, ficam os serviços de berçário e fraldário, e uma área com mesas e cadeiras para alimentação. O local possui também um auditório com capacidade para 780 pessoas, utilizado para eventos e encontros de romarias.

Um ambulatório médico, que conta com dois médicos, cinco enfermeiros e duas ambulâncias, garante o bem-estar dos turistas-devotos. Lá são atendidos cerca de 350 pacientes nos dias de grande movimento, quando o público que visita a basílica atinge 200 mil romeiros. Nestas ocasiões, dois postos policiais, um militar e outro civil, auxiliam os 150 homens da guarda patrimonial do santuário a cuidar da segurança dos visitantes.

O estacionamento do Santuário tem capacidade para abrigar quatro mil carros e 2,5 mil ônibus, numa área de 272 mil metros quadrados. O preço é que não agrada aos fiéis: R$ 7,00 a hora. Num anexo da basílica, encontra-se a Sala dos Motoristas, que possui 60 banheiros com chuveiro, 200 cadeiras espreguiçadeiras, televisões e mesas de jogos. O local, que tem área de 500 metros quadrados, pode acomodar 600 motoristas profissionais.

Ao lado da basílica, há uma torre de 18 andares com 100 metros de altura, que abriga a administração do santuário, a Central de Informações, o Centro de Documentação e Memória e o Museu de Nossa Senhora Aparecida. Um elevador facilita o acesso ao Mirante da Torre, no 18º andar, de onde se avista toda Aparecida e os municípios Guaratinguetá, Potim, Roseira e Pindamonhangaba, e o rio Paraíba do Sul.

Os locais mais visitados da basílica, depois do nicho que abriga a imagem de Nossa Senhora Aparecida, são a Capela das Velas — onde são acesas, anualmente, mais de 6 milhões de velas —, e a Sala das Promessas, local em que os devotos deixam símbolos de graças alcançadas. É possível encontrar de tudo, desde objetos deixados por celebridades — como a bola e a camisa que Ronaldo Fenômeno usou na Copa do de 2002 — até mechas de cabelo e peças de roupa.

Ao lado do Shopping da Fé, está sendo construído o Centro de Eventos, a maior obra ainda em andamento no Santuário Nacional. Com área de 15 mil metros quadrados e capacidade para 12 mil pessoas sentadas, o prédio será usado para abrigar romarias, eventos esportivos, empresariais e culturais. ´Vai ser o maior centro de eventos totalmente refrigerado do Brasil´, diz Rosemíria Siqueira.

O custo total do centro, previsto para ser inaugurado até dezembro de 2008, chega a R$ 20 mil. Todas as obras são custeadas pelos fiéis, por meio de ofertas na igreja e pelos 430 mil doadores regulares da Campanha dos Devotos, criada em 2000, com o objetivo de arrecadar recursos para os projetos da igreja. (SC)

COMÉRCIO DE IMAGENS SACRAS - Romeiro prefere itens simples e baratinhos

A estudante universitária Talita Miranda, 18 anos, conseguiu recentemente emprego na loja Sik Lopes, no Shopping da Fé — o complexo de alimentação e compras que faz parte do Santuário Nacional de Aparecida. Segundo ela, de agosto em diante, o movimento de romeiros fica aquecido e a lojinha consegue lucrar. ´Na visita do papa, o fluxo foi fraco porque as pessoas temiam 400 a 500 mil visitantes´, disse.

O aluguel do ponto custa R$ 980,00 mensais e a venda de imagens dá para arcar com esse custo, além do seu salário e de outras despesas. ´O que sai mais é a Nossa Senhora Aparecida de gesso, porque é mais baratinha´, diz. Os romeiros também gostam de levar chaveirinhos e terços — coisas simples, fáceis de carregar e que custam pouco. O maço de fitinhas, com 25 unidades, custa R$ 0,50 e vende bastante.

A maior parte das mercadorias vem de São Paulo. ´Com a Ponte da Amizade fechada, muita imagem importada do Paraguai deixou de vir. Algumas eram bastante procuradas´. O item mais caro, conta a vendedora, é uma imagem da padroiera do Brasil feita de mármore. Custa a bagatela de R$ 240,00. ´A coroa da santa é toda feita de pedras´, justifica. Uma abajur, réplica da Basílica toda iluminada, com música, custa R$ 36,00. (SC)

FIQUE POR DENTRO - Basílica tem área de quatro campos de futebol

Projetada em estilo românico pelo arquiteto Benedito Calixto de Jesus Neto, a Basílica de Nossa Senhora da Conceição Aparecida consumiu 25 milhões de tijolos e cerca de 40 mil metros cúbicos de concreto. A construção, iniciada em 1955, foi necessária porque a Basílica Velha não comportava os milhares de romeiros que visitavam a cidade.

Aparecida - Um retrato dos negócios

O Jornal "Diário do Nordeste", de Fortaleza (CE), publicou no último domingo, dia 3 de Junho, uma extensa matéria sob o título: "Negócios de Pai para Filho - Aparecida / Comércio Informal Predomina". Reproduzimos a mesma aqui, no BLOG do SINHORES Aparecida e Vale Histórico, para que todos os interessados possam conhecer a visão externa que o mercado tem com relação ao modelo de negócios praticado em Aparecida.



(Na foto: Rosemíria Siqueira: a vinda do papa frustrou muita gente, porque a mídia atrapalhou)

Uma feira com 2,5 mil barracas de camelôs existe em Aparecida há 40 anos. Os pontos passam de pai para filho

O comércio popular ao redor da Basílica de Aparecida é um forte atrativo da região para os visitantes. Uma feira com cerca de 2.500 ambulantes, localizada na Avenida Monumental, chama a atenção pela imensa variedade de itens. Ali, o turista-devoto encontra lembranças religiosas, a preços de R$ 0,99 a R$ 1,00.

Segundo o assessor de imprensa da Prefeitura, Rogério Braga, a feira resume o momento de estagnação econômica do município. ´Ela começou há 40 anos e, de lá para cá, as banquinhas passam de pai para filho. O pessoal se acomodou a ganhar alguns trocados em épocas de grandes romarias e não procurou evoluir´, diz ele.

A feira, que iniciou com seis barraquinhas, só reúne trabalhadores informais. ´A Prefeitura não está mais concedendo novas licenças de funcionamento porque já esgotou a capacidade local´, comenta Braga. Para ele, a grande carência da cidade é a falta de uma escola superior. ´Não temos uma faculdade sequer para formar pessoas em outras atividades´. As faculdades mais próximas ficam nas vizinhas Guaratinguetá e Taubaté; ou um pouco mais longe, em Campos de Jordão.

Como o movimento esperado durante a visita de Bento XVI não se confirmou — os hotéis registraram entre 25% e 30% de ocupação porque as operadoras cancelaram reservas, temendo superlotação —, a entrada da cidade parecia uma praça de guerra. Dezenas de guardadores de carro disputavam clientes e ofereciam ´hotel baratinho, a R$ 100 a diária, para casal, com refeições´.

Quem lucrou

Alguns estabelecimentos conseguiram lucrar, como o Hotel do Papa, que alugou sua parte superior para a geradora de imagens argentina Network, por cerca de R$ 15 mil. O ´quartel general´ da rede internacional dava uma visão privilegiada do altar montado fora basílica, onde Bento XVI abriu a V Conferência Episcopal da América Latina e Caribe.

Durante a estada do papa, toda a cidade parecia um grande mercado a céu aberto: banheiros químicos custavam R$ 1,00. Estacionamentos, também (preço por hora, com direito a chuveiro para banho). Quem quisesse deixar o carro fora, nas ruas próximas à basílica, tinha de pagar aos flanelinhas a bagatela de R$ 20,00.

Para Rosemíria Siqueira, a vinda de Bento XVI e a canonização do Frei Galvão deram o empurrão que faltava para Aparecida deslanchar no turismo religioso. ´O problema foi que a mídia atrapalhou. Estávamos esperando mais de 500 mil pessoas na semana da visita do papa e os jornais começaram a alardear superlotação, epidemia de dengue´, comenta. Resultado: vieram só 150 mil turistas-devotos. (SC)

ELEVAÇÃO DA RENDA - Trade está de olho nos turistas estrangeiros Aparecida possui mais de 200 restaurantes, incluindo os dos hotéis

Depois que os olhos dos católicos do mundo inteiro se voltaram para a terra da padroeira do Brasil — com a visita do papa Bento XVI em maio último —, o trade turístico de Aparecida do Norte está de olho nos visitantes internacionais. ´Quatro cardeais que estão participando do Celam confirmaram que, em julho, trarão grupos de religiosos, em vôos charters, para conhecer nosso santuário´, informa Ernesto José Elache, presidente do Sindicato de Hotéis e Restaurantes de Aparecida e Vale Histórico.

´Falta qualificação e aperfeiçoamento da mão-de-obra, para citar apenas o aspecto que cabe ao trade investir´, afirma Rosemíria Siqueira, ex-secretária de Turismo local. Segundo ela, embora a presença de estrangeiros venha crescendo, não há pessoal no Santuário, nos hotéis ou restaurantes com capacidade para atendê-los. ´Vem muito espanhol, argentino, alemão e americano. Eles gostam de levar a imagem de Nossa Senhora e algo que remeta ao Brasil. Mas é um sufoco para nos comunicarmos´.

Elache reconhece as deficiências de pessoal, mas defende que o poder público tem de entrar como parceiro, para capacitar a mão-de-obra em vários segmentos. Destaca o trabalho que o sindicato está fazendo com os restaurantes, para qualificação no preparo de alimentos, segundo regras da Anvisa. ´Este é um segmento que precisa melhorar´. Aparecida possui mais de 200 restaurantes, contando os dos hotéis, que empregam diretamente mais de 500 pessoas. ´Sem falar nas lanchonetes´. (SC)


´CABIDEIRAS´ NO SANTUÁRIO - Total de ambulantes no local é limitado

Dentro do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, o número de ambulantes é limitado. Apenas 120 profissionais, denominadas ´cabideiras´, circulam nas alas da basílica. ´Só pode vender que tem esse colete. Mesmo assim, não podemos entrar na igreja´, explica apressada Erlinda Araújo Guimarães.

Como sustenta a família com a venda de artigos religiosos, ela diz que não pode dar entrevistas, para não perder as vendas. ´O tempo que eu passar conversando com você, poderia estar circulando, em busca de novos fregueses´, completa. Sem mais delongas, avisa que trabalha ali há 20 anos e que o aluguel do colete custa R$ 15,00. ´É nossa responsabilidade mantê-lo limpo´.

Depois de comprarmos algumas medalhinhas de Nossa Senhora Aparecida, ela aceita falar mais um pouco. ´A gente só pode vender terço. Até os modelos de medalhas que temos vem com tercinho junto´. Os produtos custam entre R$ 1,00 e R$ 20,00. Em época de forte movimento, dá para apurara mais de R$ 100 ao dia. (SC)



TURISMO AVANÇA
Infra-estrutura ainda é precária


O fluxo de visitantes cresce, mas a infra-estrutura da cidade deixa a desejar, para o turista de maior poder aquisitivo

Com nada menos do que 156 hotéis, com capacidade para abrigar 30 mil pessoas, Aparecida começa a colher as graças do crescimento da devoção a Maria. O fluxo de visitantes cresce vertiginosamente — foram 8,2 milhões em 2006 —, ao passo em que a infra-estrutura da cidade deixa a desejar, principalmente para o turista de maior renda. Boa parte da rede hoteleira é voltada para romeiros de baixo poder aquisitivo, similar às hospedarias populares de Juazeiro do Norte (CE), só que, numa versão melhorada.

Segundo Ernesto José Elache, presidente do Sindicato de Hotéis e Restaurantes de Aparecida e Vale Histórico, em 2006, a rede hoteleira local ganhou seis novos empreendimentos. Todos de médio porte. Sem revelar o montante de investimentos, conta que em apenas um estabelecimento, com 42 apartamentos, foram alocados R$ 3,6 milhões, sem contar mobiliário, roupas de cama e mesa, talheres, eletrodomésticos e eletroeletrônicos.

´No ano passado, 80% da rede hoteleira local foi reformada ou ampliada, após a confirmação da vinda do papa para cá´. Ele explica que, ´como a demanda de visitantes é maior que a oferta hoteleira, ainda tem muito hotel ruim ganhando dinheiro´. Mas isso vai mudar, porque a cidade começa a atrair empreendimentos de bandeira. ´Com a concorrência dos grupos de fora, que não se adequar, fecha´, diz.

Qualificação

O setor ainda peca, segundo Elache, na questão dos recursos humanos. Os hotéis empregam cerca de duas mil pessoas, com carteira assinada, mas a qualificação é muito baixa. ´Começamos em 2006 um trabalho de capacitação profissional, sem parceiros. Bancamos uma cozinha-escola, um apartamento-escola e uma recepção, para treinar pessoal´.

Com todas as dificuldades, o sindicato conseguiu formar 387 pessoas, em cursos teóricos e práticos de 100 horas-aula. Destas, 12 estavam nas ruas, sem qualquer perspectiva profissional. ´Hoje, oito estão empregadas´. A entidade cobra R$ 300,00 dos participantes, para custear a estrutura das aulas, o corpo didático e materiais, como uniformes. ´Na cozinha-escola, por exemplo, o aluno aprende a fazer pratos com peixes, aves e carne bovina´.

Em Campos de Jordão, onde funciona o curso de nível superior em hotelaria mais próximo, a mensalidade é de R$ 1.500. ´Impraticável para um funcionário nosso ou mesmo um empresário freqüentar´. Para Elache, o Sistema S deveria fazer parcerias com o setor privado para oferecer cursos de capacitação. (SC)

Capital da fé atrai romeiros desde o século XVII

O município de Aparecida do Norte tem 112 quilômetros quadrados e 36,2 mil habitantes. Mas, desde o século XVII, atrai milhares de romeiros. Foi nas águas do Rio Paraíba, que entrecorta a cidade, que pescadores encontraram a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, em 1717.

Quando passava pela Vila de Guaratinguetá Dom Pedro Miguel de Almeida, o Conde de Assumar, governador de Minas Gerais e São Paulo, foi pedido a vários pescadores que abastecessem a comitiva. Entre eles, estavam João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia, que navegaram pelo Paraíba por cerca de seis quilômetros sem nada pescar.

Ao chegarem ao porto de Itaguaçu, pescaram somente o corpo de Nossa Senhora da Conceição. João Alves guardou a imagem e, pouco abaixo, pescou a cabeça da santa. Todos ficaram impressionados porque, junto com ela, veio uma enorme quantidade de peixes. A partir daí, Aparecida se tornou o destino maior do turismo religioso no País. (SC)

ÉPOCA DE ROMARIA - Lojas chegam a funcionar 24 horas

Trabalho no Shopping da Fé é o que não falta: ´Em época de romaria grande, como agosto, o shopping funciona 24 horas´, diz Rosemíria Siqueira, proprietária da loja Nossa Vitória. Tempo parado mesmo só em fevereiro. ´Ou perto da quaresma, porque o pessoal fica sem dinheiro para fazer viagens longas´, argumenta.

Quando o período é de vagas gordas, a lojinha recebe cerca de 300 pessoas por dia, registrando ticket médio de R$ 20 por visitante. ´Alguns santuários são mais elitistas. Aqui, vem gente de todas as classes sociais´, comenta. Além dela e do esposo, trabalham no ponto mais duas funcionárias.

Dona Maísa, proprietária de dois quiosques de venda de lanches no Shopping da Fé, conta que somente um de seus pontos vale hoje R$ 120 mil. ´Comprei o local por R$ 60 mil e investi mais R$ 10 mil para construi-lo e equipá-lo. O aluguel de cada um sai por R$ 2 mil mensais e dá para viver bem com o que ganho aqui´, diz. Ela emprega cinco pessoas, a maioria da família, em cada ponto. ´Há 15 anos, quando João Paulo II visitou Aparecida, isso aqui não era nada. Hoje, é isso o que você está vendo: um mar de gente, muito trabalho, fé e empregos´, resume. (SC)

------------------- outras matérias sobre o assunto serão colocadas nesse BLOG -------------

sábado, 2 de junho de 2007

Segunda-feira será lançado o projeto "O caminho de Aparecida"



Segunda-feira será lançado o projeto "O caminho de Aparecida"



CNBB



Na segunda-feira, 4 de junho, acontecerá o lançamento oficial do projeto "O Caminho de Aparecida". Trata-se de uma linha de ônibus exclusiva (Operada pela empresa Cometa) entre São Paulo e Aparecida, com opção de parada na Casa de Frei Galvão em Guaratinguetá.



O lançamento será às 11h15 durante coletiva de imprensa no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida (Sala de Imprensa do Santuário). O projeto tem o apoio da arquidiocese de Aparecida e Santuário Nacional.



Estarão presentes na coletiva o arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno Assis; o administrador do Santuário, Padre Hélcio Testa e representantes do projeto O Caminho de Aparecida.



Informações:

Assessoria de imprensa da Arquidiocese de Aparecida - (12) 8111-3631 / 3104-2713

Linhas&Laudas Comunicação - (11) 3801-1277

sexta-feira, 18 de maio de 2007

A Sorte está Lançada

O Papa veio. E o Papa foi. Embora tenha sido uma curta passagem, a visita de S.S. Bento XVI teve um significado importante para o Brasil, para São Paulo e particularmente para nós, em Aparecida e Vale Histórico. Momentos especialmente marcantes foram vividos em nossa região pelo Sumo Pontífice, que certamente guardará excelentes lembranças do calor humano e das manifestações de carinho e amor vividos aqui. Independente de qualquer coisa, foi um evento global coroado de sucesso.
Mas, e agora? Que lições podemos tirar de tudo isso? Qual a leitura dessa experiência?
Em primeiro lugar, segundo o nosso ponto de vista, ficou claro que uma nova gama de oportunidades se abrirá com as mudanças inevitáveis que acontecerão. Para os menos avisados, isso poderá significar o prelúdio de uma crise, mas para os que se situarem de maneira inovadora, será um grande momento.
E isso porque estamos vendo uma transição acontecer de maneira concreta, sistemática e inevitável. O modelo de negócios de Aparecida, seja para a rede de hotéis e restaurantes, seja para os lojistas e comerciantes em geral, baseia-se no fato de que o nosso turista - o Romeiro - vem a Aparecida de qualquer forma, na medida em que sua motivação é de caráter religioso e sua satisfação é estar na Capital da Fé brasileira. Adapta-se a condições particulares de oferta de acomodação que dispomos e tem um estilo de negociação que está consolidado entre as partes, depois de acomodações feitas ao longo do tempo. É bem verdade que mesmo o Romeiro que conhecemos, já não é mais o mesmo, porque vem tornando-se mais exigente, mais seletivo e quer mais pelo valor que paga. Isso vem se refletindo nos serviços da cidade ao longo dos anos, com melhorias substanciais na qualidade.
No entanto, o que teremos a partir dos eventos de Maio de 2007 é o aporte de um novo cliente, de um tipo de visitante que vem de outros países, movido pelo interesse em conhecer os ícones da peregrinação religiosa mundial, encabeçados pelo maior Santuário Mariano do Mundo, o Santuário Nacional de Aparecida. De um cliente que paga em Euros ou Dólares, que fala Inglês ou Espanhol, que quer um tipo de atendimento hospitaleiro e profissinal por parte dos agentes do setor. Virão pessoas que querem se hospedar em quartos e não em leitos. Que querem saborear comida típica e não apenas uma refeição robusta. Enfim, que vem viver a experiência espiritual da Fé, sem esquecer das necessidades do corpo.
Esse tipo de hóspede vai buscar onde se ficar em agências de viagem ou na internet, porque não virá para negociar sua hospedagem na porta do hotel. E se não encontrar o que procura, vai buscar o que quer em outra região, outra cidade.
Portanto, repensar a estrutura de vendas passa a ser fundamental para alcançarmos esse novo nicho. E mais importante ainda, será proporcionarmos o "momento mágico" quando da estada desse visitante em nossa região, tendo em conta que são formadores de opinião e irão propagar a experiência em sua rede de relacionamentos, que em geral é bastante grande. Falamos nos dias de hoje de uma visitação anual na ordem de 8 milhões de visitantes somente a Aparecida, mas é claro que fatos como a Canonização do Santo Antonio de Santana Galvão e todas as demais iniciativas regionais trarão um número bastante superior de pessoas ao Vale Histórico, e sem medo de errar, podemos estimar que, em poucos anos, podermos falar em 10 milhões ou 12 milhões de visitantes ano.
Ora, isso vai requerer de todos nós um esforço de adaptação e uma mudança de comportamento, porque se o nosso tradicional Romeiro vai continuar nos visitando nos moldes conhecidos, certamente um número igual ou superior de pessoas vai buscar o diferencial que garanta qualidade, conforto e segurança a sua estada. E a sorte vai estar ao lado dos que estiverem dispostos a desenvolver serviços e produtos adequados para esses novos tempos.

Definitivamente, a sorte está lançada.

Ernesto Elache
Presidente
Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de Aparecida e Vale Histórico

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Empresas criam linha direta de ônibus entre igrejas de São Paulo e Aparecida


Serviço vai custar R$ 70,00, com opção de visita à casa de Frei Galvão.
Para conquistar romeiros, ônibus terão adesivos temáticos e serviços extras

Uma parceria entre o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida e empresas ligadas ao turismo vai oferecer uma alternativa para romeiros que desejam visitar Aparecida, a 167 km de São Paulo. A partir de sábado (19), o turismo religioso no Vale do Paraíba terá o reforço de uma linha diária de ônibus entre igrejas de São Paulo e o templo mariano.


De olho no público da terceira idade, o serviço começa a funcionar no sábado com cinco ônibus, que sairão entre 7h e 8h, passando por cinco igrejas de São Paulo: Igreja São Judas, Igreja Santa Cruz, Igreja do Perpétuo Socorro, Igreja de Santa Cecília e Igreja da Sé.

Os ônibus terão adesivos com a imagem de Nossa Senhora Aparecida e da Basílica Nacional, guias especializados, toilette, ar condicionado e 36 lugares. De acordo com os idealizadores do projeto, o serviço é reflexo do aumento de vistação ao templo mariano e também no interesse despertado pela canonização de Frei Galvão.

"Isso tudo surgiu de uma conversa informal com Dom Raymundo Damasceno, arcebispo de Aparecida, que falava que muitas pessoas tinham interesse em visitar a cidade, mas tinham dificuldade de chegar ao Santuário", disse Patrick Titgadt, diretor da agência de turismo Megtur.

Além do Santuário, os romeiros terão opção de incluir uma visita à casa de Frei Galvão, em Guaratinguetá, a 176 km de São Paulo. O serviço, batizado de "O Caminho de Aparecida", prevê a chegada para a missa do meio-dia na Basílica. A visita opcional à casa de Frei Galvão pode ocorrer no período da tarde. A volta para São Paulo ocorrerá às 16h30.

O custo total da viagem será de R$ 70 e os fiéis podem fazer a compra nas paróquias credenciadas ou pelo telefone (11) 2138-6070. O opcional com passagem pelo Museu de Frei Galvão custa mais R$ 9.

Pesquisa sobre Empreendedorismo

Pesquisa sobre Empreendedorismo: Global Entrepreneurship Monitor - GEM/2006


A Pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) utilizada para medir as taxas de
empreendedorismo mundial, foi apresentada pelo Sebrae e Instituto
Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), no último
mês de Abril.


Os dados revelam que a principal mudança no cenário empreendedor brasileiro, foi
o número de empresas estabelecidas de forma consolidada no
País. O percentual delas tem crescido regularmente, de 7,6%, em
2003, para 12,9% em 2006 (ou 14,2 milhões de empreendimentos).


Esse crescimento percentual de empresas estabilizadas traduz uma melhoria nas
condições de sobrevivência dos empreendimentos no
País. No ranking mundial, o Brasil está em 5º lugar
no número de empreendedores estabelecidos, mantendo a mesma
colocação de 2005.



"Pela primeira vez no Brasil, o número dos empreendedores estabelecidos superou o de
empreendedores iniciantes. A pesquisa assinala que esse ineditismo
sugere um ambiente mais propício ao negócio
próprio, que ela (a pesquisa) atribui à estabilidade
econômica. Se realmente se confirmar esta tendência,
podemos somar a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas à
estabilidade econômica já alcançada como outro
fator para consolidar um clima favorável ao surgimento e
manutenção de novas empresas - este sim um ingrediente
certo e não apenas uma tendência", afirma o presidente do
Sebrae, Paulo Okamotto.



Cultura e política


O brasileiro adulto tem uma mentalidade empreendedora bastante
desenvolvida. Esse foi outro aspecto favorável ao Brasil
demonstrado na pesquisa. Constatou-se que, direta ou indiretamente, a
atividade empreendedora faz parte da vida cotidiana do brasileiro:
quase a metade da população conhece alguém que
montou uma empresa nova nos dois últimos anos.


A pesquisa GEM também identifica e distingue em cada país
que participa do estudo, um conjunto de "Condições
Nacionais que Afetam o Empreendedorismo". Entre essas
condições está a "Atual Política relativa
ao Empreendedorismo". Nela é analisado até que ponto as
políticas governamentais regionais e nacionais, refletidas ou
aplicadas em termos de tributos e regulamentações,
são neutras ou encorajam ou não o surgimento de novos
empreendimentos.



No Brasil essa condição recebeu destaque com a nova Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, sancionada
pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva,
em 14 de dezembro de 2006 e que passou a ter vigência no dia
seguinte em todo o País - exceto o capítulo
tributário, que passará a vigorar em 1º de julho
deste ano.



A Lei Geral traz diversos benefícios para o micro e pequeno empreendimento, como o estímulo ao seu
estabelecimento e desenvolvimento, por meio da redução de
exigências burocráticas e da criação de um
sistema tributário diferenciado e simplificado favorável
ao segmento. Entre outras vantagens, a Lei ainda implementará
uma base de dados de informação única e integrada
e um sistema único de coleta de impostos, pelo qual as receitas
são automaticamente transferidas à União, estados
e municípios.



"A Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas permitirá aos empreendedores conduzir melhor seus
negócios, simplificando a tomada de decisões sobre os
processos administrativos, fiscais e tributários que envolvem a
gestão de uma empresa, e isso basicamente devido à
redução expressiva das exigências que dificultam o
ato de empreender no Brasil", afirma o diretor-presidente do IBQP,
Carlos Artur Krüger Passos.



Ranking mundial



A pesquisa mostra que o Brasil é o décimo país com o
maior número de pessoas que abrem negócios no mundo.
São cerca de 13,7 milhões de empreendedores iniciais (que
estão em fase de implantação do negócio ou
que já o mantêm por até 42 meses). Eles
correspondem a 11,65% da população adulta de 118
milhões de brasileiros com 18 a
64 anos de idade. O País passou de 7º colocado no ranking
em 2005 para 10º em 2006, o que pode ser explicado pela entrada de
novos países no consórcio GEM apresentando taxas
superiores às brasileiras, como por exemplo, Uruguai, Filipinas,
Colômbia.



A pesquisa GEM trabalha com duas categorias
para montar o ranking mundial. Uma delas é a taxa de
empreendedores em estágio inicial, medida a partir da pesquisa
com a população adulta (18 a
64 anos) que está ativamente envolvida na criação
de novos empreendimentos ou à frente de empreendimentos com
até três anos e meio. A outra categoria é a de
empresas estabelecidas há mais de três anos e meio (42
meses).



Na categoria de empreendedores iniciais, os
países mais empreendedores são Peru (40,15%),
Colômbia (22,48%), Filipinas (20,44%), Jamaica (20,32%),
Indonésia (19,28%), China (16,19%), Tailândia (15,20%),
Uruguai (12,56%) e Austrália (11,96%). Já os cinco
países menos empreendedores são Emirados Árabes
(3,74%), Itália (3,47), Suécia (3,45%), Japão
(2,90%) e Bélgica (2,73%).



Empresas estabelecidas



Os
países que saem na frente na categoria de empresas estabelecidas
são Filipinas (19,72%), Indonésia (17,62%),
Tailândia (17, 42%), Peru (12,37%) e Brasil (12,09%), desbancando
países como China (8,98%), Estados Unidos (5,42%) e Japão
(4,76%).









Desde 2005, o GEM tem analisado também países em dois grupos
segundo o Produto Interno Bruto (PIB) per capita: são os
países de renda média e os de renda alta. Esse aspecto
é considerado pela paridade de poder de compra. Por essa
análise, constatou-se que as taxas de empreendedorismo inicial
tendem a ser mais altas nos países de renda média, devido
a diversos fatores como perfil demográfico e valores culturais,
por exemplo. A taxa de empreendedores em estágio inicial
é relativamente menor nos países de alta renda, de modo
especial nos países da União Européia e no
Japão.





Motivação x necessidade



Como na edição passada da pesquisa, o GEM também
diferenciou os empreendedores em função de sua
motivação para desenvolver um negócio
próprio. O objetivo é verificar se as iniciativas
empreendedoras decorrem de oportunidades de negócios ou se
estão relacionadas à falta de opções no
mercado de trabalho. Tem-se, portanto, as taxas de empreendedorismo por
oportunidade e por necessidade.



Quanto a essa classificação, no Brasil os números permanecem
iguais aos de 2005. No empreendedorismo por oportunidade, o País
manteve a taxa de 6% (7 milhões de iniciativas); no ranking
mundial, porém, o Brasil foi da 15ª posição
para a 20ª.



No empreendedorismo por necessidade, houve uma pequena variação: em 2005, a
taxa era de 5,3% e passou para 5,6% em 2006 (6,5 milhões de
iniciativas). No ranking, o Brasil passou de 4º para 6º
colocado. Proporcionalmente, é possível dizer que no
Brasil, para cada indivíduo que empreende por oportunidade,
existe outro que o faz por necessidade.



Metodologia



Criado em 1999, o Global Entrepreneurship Monitor (GEM) é o maior
estudo independente do mundo sobre a atividade empreendedora,
abrangendo mais de 50 países consorciados, o que representa 90%
do PIB e 2/3 da população mundial. O GEM é
atualmente coordenado pela London Business School (Inglaterra) e Babson
College (Estados Unidos).



No Brasil, desde 2000, o GEM vem se consolidando como uma importante referência para as iniciativas
relacionadas ao empreendedorismo. O projeto é liderado no
País pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade
(IBQP), que coordena e executa o GEM, tendo como parceiros o Sebrae
Nacional, a Federação das Indústrias do Estado do
Paraná (Sistema Fiep), a Pontifícia Universidade
Católica do Paraná (PUC/PR) e o Centro
Universitário Positivo (Unicenp).



Para compor a pesquisa no Brasil, em 2006, foram entrevistados dois mil indivíduos com idades entre 18 a
64 anos de todas as regiões do País, selecionados
aleatoriamente. A pesquisa, que tem nível de confiança de
95% e margem de erro amostral de 1,47%, conta ainda com opiniões
de 37 especialistas brasileiros.



Nesta edição, 42 países participaram da pesquisa. São países da
Europa, Américas (cinco da América do Sul), Ásia,
África e Oceania. Oito países participaram pela primeira
vez neste ciclo da pesquisa GEM: República Tcheca Turquia,
Colômbia, Uruguai, Emirados Árabes, Filipinas,
Indonésia e Malásia.



Fonte: ASN - Assessor de Imprensa do Sebrae Nacional - Alessandro Soares

Assessora de Imprensa do IBQP - Maria Júlia

Um toque sutil: Como fazer um restaurante de sucesso?





A receita pode ser até a mesma, mas os pratos certamente não saem iguais. Dependem da combinação de ingredientes extras como conhecimento, prática e criatividade na culinária. E o mais importante: vocação para cozinhar. Esse é o principal quesito para atuar em um mercado que corresponde a 2,4% do PIB brasileiro e congrega cerca de um milhão de empresas, gerando seis milhões de empregos diretos em todo o país. A gastronomia é um ramo que não comporta mais aventureiros. Cresce de maneiras diferentes dependendo da localidade, mas em todas elas a busca é por aperfeiçoamento contínuo, profissionalizar-se para sobreviver. Somente assim é possível alcançar resultados e fidelizar os clientes.



O consumidor é o responsável pela árdua disputa nesse mercado. O hábito da alimentação fora de casa já representa 26% dos gastos dos brasileiros com alimentos, conforme dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), entidade presente em 24 Estados, que tem como missão promover essa área no país.



A exigência, para a grande maioria, é ser bem atendido e comer bem. "Os empreendedores devem investir na elaboração de cardápios atraentes, com impressão em outras línguas como inglês e espanhol, na diversificação para atender a uma gama nova de clientes que chegam ao mercado, como idosos, diabéticos e pessoas com restrições ao glúten, e outras particularidades, por exemplo, oferecer a possibilidade de um alimento mais natural, com produtos orgânicos", diz Paulo Solmucci Júnior, presidente da Abrasel nacional.



Para se destacar nesse mercado, empreendedores põem em ação estratégias que tenham o consumidor como alvo:



- Um bom atendimento é essencial para o sucesso do negócio;



- A qualidade dos alimentos servidos é consensual e indiscutível, sob risco de fechar as portas do bar ou restaurante;



- Também é importante elevar o padrão da apresentação dos pratos e sempre que possível oferecer novidades gastronômicas. Atualmente, há maior facilidade em encontrar fornecedores especializados para adquirir ingredientes e criar novas receitas, simples ou sofisticadas.



Nas capitais, mais do que em outros lugares, existe muita variedade dos itens em alimentação disponíveis nas gôndolas de supermercados, por exemplo. "É preciso investir cada vez mais na capacitação de sua equipe para oferecer serviços de qualidade a seus clientes, sem esquecer também dos investimentos na qualificação para o alimento seguro (que não oferece perigos à saúde e à integridade do consumidor)."



Sabor Brasil



O cliente se ganha nos detalhes, e na valorização e promoção da gastronomia. Esse é o objetivo da Abrasel, Ministério do Turismo e Sebrae, que se uniram em torno do programa Movimento Brasil Sabor.



O programa possui uma série de iniciativas que têm como foco a profissionalização do setor de alimentação fora do lar, começando pela qualificação para o alimento seguro, gestão e excelência em atendimento. Uma delas, o Programa Qualidade na Mesa (PQNM), realiza cursos de boas práticas e de Multiplicador no Local de Trabalho (MLT), uma metodologia nova para impulsionar o atendimento. "Esse programa qualifica os profissionais e contribui de forma significativa para que os empreendimentos que passam pelos treinamentos possam ocupar um lugar diferenciado no mercado", diz Solmucci.



Mas o carro-chefe do programa é o festival Brasil Sabor, que cria oportunidade para empreendedores apresentarem toda a qualidade de seus serviços aos clientes. "É, sem dúvida, uma grande ação de promoção da gastronomia, do setor e dos restaurantes participantes, pela visibilidade e projeção que ele proporciona. O sucesso do festival é tão grande, que muitos restaurantes incorporam o prato do evento em seus cardápios", diz o presidente da Abrasel. O evento contribui para divulgar a culinária regional e promover a imagem da gastronomia brasileira no exterior.



Para o Brasil Sabor 2007, que está ocorrendo no período de 17 de abril a 20 de maio, a meta é dobrar o número de participantes e de cidades envolvidas. "O Brasil Sabor é uma ação de extrema importância para demonstrar que, além de seus belos roteiros turísticos e de sua valiosa cultura, o Brasil possui uma riqueza de dar água na boca: a gastronomia."



A importância da gastronomia no "trade" do turismo



O mercado de gastronomia é um prato cheio para outros nichos como o de eventos e  do turismo. "A gastronomia brasileira é muito rica e diversificada e é, sem dúvida, um forte instrumento para estimular estas áreas no país". O estudo "Economia do Turismo: Análise das Atividades Características de Turismo", do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), comprova essa vocação para fomentar o empreendedorismo. Das 81 prestadoras de serviço no turismo, 49% são empresas de alimentação. Esse nicho também é responsável por 31,18% da receita operacional líquida do turismo.



"França, Espanha, Itália e, mais recentemente, Japão e México já estão apostando de forma consistente no setor de alimentação fora do lar como instrumento para impulsionar as áreas de turismo e economia, com resultados excelentes." Diante dessa realidade, não há nenhum ingrediente exótico e de difícil acesso para aprimorar ainda mais a gastronomia brasileira. O cliente está na mesa, à espera, e com muita fome.



Gostar de cozinhar passou de divertimento para uma rede de restaurantes



A melhor receita de Sergio Arno é combinar gastronomia e negócios. Filho de Ana Maria Ferraz de Oliveira Dias e Carlos Arno, empreendedor bem-sucedido no ramo de eletrodomésticos, ele encontrou na culinária a sua vocação. Nunca precisou de um motivo, de uma razão específica, sempre teve prazer em cozinhar. Por gostar e ter aptidão na arte de preparar alimentos, é considerado um dos cinco melhores chefs do mundo em culinária italiana. Em 2001, abriu a rede de restaurantes La Pasta Gialla, franquia com nove unidades em São Paulo e outras três no Paraná, Pernambuco e Alagoas.



Começou a cozinhar com sete anos, ajudando sua mãe em casa. Aos 12, ele já fazia sozinho os primeiros pratos, receitas mais simples como molhos para saladas e arroz. Na adolescência, tinha muita dificuldade de concentração e acabava tirando notas baixas na escola. Por não ser um bom aluno, conforme os padrões educacionais da época, o pai propôs que ele fosse trabalhar na fábrica, montando enceradeira e outros eletrodomésticos. Mas nunca sofreu pressão da família para seguir carreira na empresa. "A pressão era justamente ao contrário, para não ficar. Era para cada um se virar sozinho na vida e não depender de ninguém", diz Arno. Cozinhar sempre foi o que melhor sabia e gostava de fazer.



Mais tarde, conheceu a italiana Maria Graça, que se tornou sua namorada e depois sua esposa. Foi com a mãe dela que começou a se interessar pela gastronomia daquele país. Foi morar na Itália e, para se manter, trabalhou numa subsidiária da Pirelli; sua função era carregador de pneus, ajudava a transportá-los até os caminhões. O tempo que passou no país, aproveitou para aprimorar sua técnica e conhecimento na gastronomia. Foi estagiário de um restaurante e lá começou a cozinhar profissionalmente. "Tive que aprender na prática e ler muito. São mais de 15 mil livros lidos."



Em 1987, voltou ao Brasil com muita vontade de abrir o próprio negócio na área. Como andava sem dinheiro, pediu emprestado ao pai para poder se tornar sócio de um restaurante. Mas seu pai lhe fez uma proposta: fazer dois jantares; caso aprovasse o seu desempenho, ele emprestaria, era essa a condição. Mesmo achando apenas regular, financiou o filho, mas com uma quantia que mal deu para adquirir as panelas. O empreendimento recém-inaugurado começou a fazer sucesso, mas também dava bastante trabalho.



De início, tinha que fazer tudo, manobrar carros, recepcionar os clientes e atendê-los nas mesas, cozinhar e fechar as contas. Após uma semana, já esgotado e sem dormir direito, pensou em fechar o restaurante.



Porém, a paixão pelo empreendimento fez com que continuasse a colocar em prática sua aptidão. Depois desse restaurante, montou ainda mais três empresas na área, a mais recente, La Pasta Gialla, tem no cardápio massas e bruschettas como pratos principais.



"Existe muita concorrência em todo o ramo de alimentação, e em cada segmento é necessário atuar de maneira diferente, dependendo do público, mas todos os meus empreendimentos têm algo em comum, que é a paixão pelo negócio", diz. Na sua avaliação, é preciso saber cozinhar e gerenciar, não uma ou outra, mas aliar as duas coisas. "Não tratar o negócio como se fosse um investimento qualquer ou, como muitas pessoas fazem, sobrou um dinheiro, abrem um restaurante porque acham legal, isso não cabe mais hoje em dia."



A rede tem crescimento de 9% ao ano, e o plano de expansão para 2007 é abrir cinco novos restaurantes. "A filosofia é igual para todas as unidades, e o cardápio é exatamente o mesmo, exceto alguns pratos mais regionais nos quais não interferimos", diz.  "A receita é essa, tem dado certo, e temos feito bons negócios." Eleita a Melhor Cantina da Cidade de São Paulo por dois anos consecutivos, 2003 e 2004, na Revista Gula, também recebeu o prêmio de Melhor dos Melhores Gula 2005.



"O prêmio é maravilhoso, mas não cozinho para ganhar, gosto de cozinhar e acho que as pessoas têm que comer bem. O objetivo é fazer o cliente feliz e valorizar a culinária." Para despertar a vocação de cozinhar em outras pessoas, Arno escreveu dois livros de culinária. O primeiro em 1990, La Vecchia Cucina, A Cozinha Renovada, e, em 1999, A Cozinha do Amor e da Paixão. "Esse é um dos poucos ramos que se tem de fazer com amor, senão é melhor desistir e fazer outra coisa." Tem que ter dom.



Pratos típicos de países diferentes podem conviver no mesmo restaurante



Japão é logo ali perto da Itália, pelo menos quando se trata da culinária servida no mesmo restaurante. Palavras japonesas como Gohan, Kanten e Ebi (arroz cozido, gelatina de algas marinhas, camarão) estão presentes no cardápio do I Piatti Sushi Bar, que serve tradicionais pratos da culinária oriental.



No mesmo local, só que no andar de baixo de um casarão em Botafogo, no Rio de Janeiro, funciona o I Piatti Ristorante, especializado em cozinha italiana. A sócia proprietária Suzi Clementino Niv, aprendeu a não misturar sushi e sashimi com lasagna e spaghetti. Combinar os pratos não faz parte da sua estratégia. O objetivo é oferecer dois tipos de culinária para satisfazer todos os gostos dos clientes.



A diversidade tem dado destaque para a casa. São três andares, no qual funcionam o restaurante e o Sushi Bar, que alternam a forma de servir, dependendo do horário. Para atender à clientela durante o dia, por exemplo, o primeiro piso serve comida italiana à la carte, no segundo tem um buffet a quilo de pratos variados, e no terceiro, também por peso, comida japonesa. "À noite, a diferença é que servimos rodízio no segundo andar e no terceiro piso alugamos o salão para eventos, festas e banquetes", diz.



Suzi optou pelas duas cozinhas depois de observar o mercado. Tanto a culinária italiana quanto a japonesa fazem sucesso aqui no Brasil há algum tempo. Com decoração temática, apostou na variedade e riqueza gastronômicas de cada cultura para criar uma novidade inusitada, mas que foi bem recebida e deu certo. "Sempre ficava de olho no que tinha de novo no mercado, mas não tinha recursos para abrir o negócio."



A infância pobre trouxe a responsabilidade cedo. Ainda quando criança, ela era encarregada de tirar o leite das vacas para vender na vizinhança, em Piabetá, distrito de Magé, município localizado a 50 km da cidade do Rio de Janeiro. Com muita determinação e sempre em busca de superação a cada novo dia, graduou-se em Direito. E não parou de estudar. "Fiz vários cursos sobre gestão em restaurante e culinária no Sebrae e no Senac, e depois, quando tive a oportunidade, me formei em Gastronomia, pela Estácio de Sá."



Foi uma árdua batalha, mas conseguiu montar o empreendimento que pretendia. Antes, teve que virar empreendedora do ramo têxtil. Conseguiu dinheiro emprestado com o tio e se tornou sócia de uma confecção de roupas. Mais tarde, com a clientela formada e o negócio consolidado, seguindo de vento em popa, aproveitou o momento para tomar uma decisão radical. Vendeu sua parte na empresa, e usou o dinheiro para quitar sua dívida com o tio e montar o tão sonhado restaurante, em 1985.



"Já gostava de gastronomia, fui me envolvendo cada vez mais, troquei e deu certo." Gradativamente, foi fazendo investimentos. "Quando abrimos o restaurante, convidei um sócio que tinha experiência fora do Brasil na área, tínhamos apenas quatro funcionários. O crescimento foi aos poucos, mas foi bem sólido", diz Suzi.



Fonte:  Empreendedor - Fábio Mayer

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Pesquisa sobre visitação a vinda do Papa

Segundo a VNEWS (TV Vanguarda) , numa pesquisa feita em seu site, verificou-se o seguinte até o presente momento (09/05 às 16:20h)

Resultado da Enquete
Você vai acompanhar a visita do Papa Bento XVI
RESPOSTA

TOTAL
Ao vivo, em Aparecida ................... 14%
Ao vivo, em São Paulo .................. 2%
Pela internet ................................... 19%
Pela TV ............................................ 65%

domingo, 6 de maio de 2007

Na reta final, Aparecida improvisa obras



A uma semana da chegada do papa, prefeitura já prepara limpeza da cidade sem concluir serviços

A Prefeitura de Aparecida corre contra o tempo para terminar as obras de infra-estrutura na cidade antes da chegada do papa Bento 16, no dia 11 de maio, próxima sexta-feira. Da proposta inicial de recapear 20 vias públicas – 60 mil metros quadrados) e construir um reservatório com capacidade para 1,5 milhão de litros de água, o prefeito José Luiz Rodrigues (DEM), o Zé Louquinho, já admite improvisar e recuperar apenas ruas da região central e ao longo do trajeto que Bento 16 fará na cidade.

Otimista, Rodrigues acredita que tudo dará certo e dentro do prazo estipulado. “Não haverá nenhum problema de infra-estrutura em Aparecida na visita do papa”, afirmou. Quanto ao reservatório, cuja estrutura metálica ainda está sendo feita, a prefeitura espera poder contar com pelo menos 50% da capacidade – 750 mil litros.

Já as adutoras do reservatório, que o ligarão à rede do Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgotos) de Aparecida, serão construídas depois da visita do papa. Segundo a secretária de Obras de Aparecida, Jeffercy Souza Nunes Chad, os trabalhos estão em ritmo acelerado e a meta é terminar as obras até o dia 10 de maio, véspera da chegada do papa.

“Após o prazo, só haverá serviços de limpeza”, disse a secretária. Jeffercy informou que estão em fase de conclusão as obras de alargamento e arborização das calçadas na avenida Barão do Rio Branco, na entrada do Seminário Bom Jesus, onde ficará hospedado o papa e sua comitiva. Haverá ainda a colocação de 40 postes decorativos na via.

Prossegue também a construção da rua padre Jorge Antão, que ligará as ruas Chad Gebran e Rosa Penido. A via servirá de alternativa para o acesso à via Dutra sem passar pelo centro da cidade. No local, segundo Jeffercy, serão pavimentados cerca de 8.000 metros quadrados de rua.

Enquanto as obras públicas estão atrasadas, a direção do Santuário Nacional argumenta que os serviços no interior do templo estão adiantados e terminarão no cronograma previamente estipulado pela Igreja (leia texto nesta página).



TODO VAPOR – Transformada em canteiro de obras, as principais avenidas da região central de Aparecida recebem os últimos acabamentos, com recuperação de calçadas, construção de canteiros arborizados e colocação de postes decorativos, além da troca das lâmpadas. “Estamos trabalhando dia e noite para terminar as obras dentro do prazo. Quando o papa passar pelas ruas de Aparecida, tudo estará limpo, organizado e bonito.

Tenho certeza”, disse o prefeito Rodrigues.

Mas nem todo mundo acredita que a reforma será concluída a tempo. Na opinião do comerciante João Campos da Silva, de 50 anos, muita coisa ficará por fazer após a visita do papa.

“Acho que o tempo é curto para fazer tudo que a prefeitura disse que ia fazer. O jeito é priorizar algumas obras e trabalhar sem parar”, disse Silva, que possui um comércio na rua Maestro Benedito Barreto, que também passa por reformas.



LIMPEZA – Com toda as dúvidas quanto ao prazo do término das obras, a única certeza da prefeitura é que os trabalhos terão que ser encerrados no dia 10 de maio. Este é o prazo que o prefeito deu para iniciar o serviço de limpeza da cidade. Todo o material usado nas obras, como máquinas e caçambas, será retirado das ruas.

Dez mil ônibus em Aparecida

A visita oficial do papa Bento XVI ao Brasil, entre os dias 9 e 13 de maio, deve aquecer o turismo religioso no País. Segundo a CNBB, estão sendo aguardados, somente na cidade de São Paulo, cerca de 1 milhão de fiéis no Campo de Marte, além de 35 mil jovens no estádio do Pacaembu, e, pelo menos, 500 mil pessoas em Aparecida, interior de São Paulo, onde será realizada a V Conferência do Episcopado da América do Sul e Caribe. O papa deve ainda visitar a cidade de Guaratinguetá (SP).



O turismo em torno do papa, incluindo a vinda de fiéis católicos de todos os cantos do Brasil e também de países latino-americanos, deve movimentar um montante de R$ 60 milhões na Capital paulista.



Além da média 120 mil turistas em finais de semana, milhares de pessoas deverão viajar para a cidade de Aparecida com a intenção de participar da missa celebrada pelo papa Bento XVI.



Toda essa movimentação deve mobilizar uma frota de 10 mil ônibus de fretamento às cidades visitadas pelo papa. O que preocupa Maurício Marques Garcias, presidente da FRESP- Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo, é a infra-estrutura preparada para receber esse meio de transporte e seus passageiros.



Segundo o diretor-executivo de planejamento de Aparecida, Carlos Alberto de Almeida, foram construídos uma alça marginal à via Dutra, novos bolsões de estacionamento para 40 mil carros e ônibus - antes a cidade comportava 19 mil - e três calçadões para facilitar a circulação do público na cidade.



Os estacionamentos adicionais para 2 mil ônibus foram distribuídos em três pontos próximos à Basílica, onde será celebrada a missa pelo pontífice: no bairro de Santa Terezinha, próximo ao residencial Rosa de Ouro (1.400 ônibus); estacionamento Santo Afonso, no centro (324 ônibus) e no bairro de Vila Mariana (280 ônibus).



Uma área reserva no bairro do Jardim Paraíba, próximo ao Santuário Nacional deverá ser acionada para eventual estacionamento de veículos. Os locais devem ser equipados com banheiros químicos, bebedouros, pedregulhos no chão para facilitar o tráfego e sinalização.



Julio Oliveira, gerente de Operações da Basílica de N. Sra. Aparecida, na cidade de Aparecida, informa: "operacionalmente falando, trabalhamos para acolher cerca de 500 mil romeiros no dia 13 e, para tanto, reservamos os dois bolsões laterais ao Centro de Apoio ao Romeiro somente para os pedestres".



No dia 12 de maio, o pontífice visitará a Fazenda Esperança em Guaratinguetá. Foram criados três bolsões especiais de estacionamento: um na entrada da cidade (divisa com Aparecida); um à margem da Avenida J. K. (Ilha dos Ingás) e outro na área institucional ao lado do prédio do Fórum.



A prefeitura de São Paulo divulgou seu esquema de tráfego e estacionamentos durante a visita do papa: haverá bolsões no entorno do Campo de Marte, separados por cor, de acordo com a rodovia de origem do veículo.



Não haverá bolsões de estacionamento nas proximidades do estádio do Pacaembu. Os ônibus deverão estacionar nos bolsões próximos ao Campo de Marte e os passageiros serão orientados a utilizar o Metrô ou transporte coletivo até o estádio.

Papa surpreende Igreja no país ao escolher Aparecida

Papa surpreende Igreja no país ao escolher Aparecida para cúpula

Domingo 6 de Maio, 2007 9:47 GMT15

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Por Guido Nejamkis



BRASÍLIA (Reuters) - A decisão do papa Bento 16 de escolher a cidade de Aparecida como sede do mais importante encontro da hierarquia católica latino-americana em 15 anos surpreendeu a própria Igreja brasileira, que acreditava que Chile, Argentina ou Equador sediariam o evento.



Aparecida, com 35.600 habitantes e localizada a 167 km de São Paulo, recebe 8 milhões de peregrinos por ano devido ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, com capacidade para 45 mil pessoas.



Será em uma grande sala do Santuário que acontecerá a partir do dia 13 a 5a Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe. A reunião será aberta pelo papa, que faz sua primeira viagem ao continente em dois anos de pontificado.



Participarão da conferência 162 bispos, além de teólogos, membros de movimentos eclesiásticos e convidados. Todos debaterão as missões da Igreja na região e os "desafios que ela enfrenta", visando "traçar diretrizes e orientações" sobre sua atuação, explicou o arcebispo de São Paulo, Odilo Scherer.



Assuntos como globalização, pobreza e exclusão social, a secularização da sociedade e o "dominante fator econômico e técnico-científico" na vida humana serão temas das deliberações dos bispos.



A primeira conferência do tipo aconteceu em 1955 no Rio de Janeiro. Depois, foram realizadas reuniões semelhantes em Medellín (1968), Puebla (1979) e Santo Domingo (1992).



"No caso de Aparecida, sua escolha foi surpreendente. Não se previa Aparecida como uma possibilidade. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) não havia proposto Aparecida porque já havia sido sede de uma conferência. Por isso, a CNBB acreditava que fosse normal que outros países pudessem hospedar a conferência", explicou Scherer.



"Para a surpresa de todos, Bento 16 escolheu Aparecida para a realização da conferência. Falava-se de Equador, da possibilidade da Argentina, do Chile", disse o religioso.



Scherer, recentemente nomeado arcebispo de São Paulo pelo papa Bento 16 e também secretário-geral da CNBB, indicou que o processo de escolha de Aparecida foi árduo. "O lugar é sugerido pela organização da conferência, pelo Celam (Conselho Episcopal Latino-Americano). Apresentam-se vários lugares e o papa define", afirmou.



A definição do local da cúpula também atravessou momentos de incerteza com a doença e morte de João Paulo 2o, em 2005. "Quando a saúde de João Paulo 2o ainda era precária, pensou-se em realizar a conferência em Roma para que ele pudesse estar presente. Como ele faleceu em seguida, isso foi reconsiderado", disse Scherer.



O papa Bento 16 chegará na tarde da próxima sexta-feira a Aparecida, de helicóptero, proveniente de São Paulo. No dia seguinte, visitará uma fazenda em Guaratinguetá, onde se tratam dependentes químicos.



No dia 13, domingo, antes de voltar a Roma, o papa abrirá a conferência episcopal com uma missa na praça em frente ao Santuário.