
À espera do papaAparecida investe em obras no santuário para receber Bento XVI
Domingo, 04 de Fevereiro de 2007 09h41
Aparecida, a 167 quilômetros de São Paulo, só não está fechada para reformas por causa de seus 36 mil habitantes e dos cerca de 150 mil romeiros que vão ao principal centro de devoção a Nossa Senhora no Brasil todos os fins de semana. A cidade está se reinventando para receber o papa Bento XVI e a 5ª Conferência do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, em maio. A maior parte das obras vem sendo tocada pela Igreja Católica, com a ajuda da iniciativa privada. O Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, que administra o complexo da basílica, trocou a iluminação da torre da igreja, construiu uma tribuna para que o papa possa celebrar uma missa do lado de fora e revestiu a cúpula da basílica com 230 toneladas de cobre para evitar rachaduras e infiltrações de água. Esse último item envolve também uma preocupação estética. O cobre passou por um processo de esverdeamento e envelhecimento para parecer antigo, semelhante à cúpula da Catedral da Sé, na capital.
As reformas também incluem o interior da basílica. As paredes têm TV para os fiéis assistirem à missa, estão sendo revestidas com painéis que retratam a vida de Jesus. A direção espera que o papa inaugure esses painéis. Nem o valor das obras nem seu ritmo são divulgados. “O santuário investe nas obras de acordo com a arrecadação da Campanha dos Devotos. As obras seguem o ritmo das doações”, diz o padre Hélcio Testa, administrador do santuário. A Campanha dos Devotos começou em 1999 para arrecadar verba para a reforma. O valor também vem de restaurantes e lojas com licença para funcionar na área da basílica e dos anúncios de bancos, no terreno da igreja. Ao menos até agora, não falta dinheiro. Tanto é que o santuário está reformando, com recursos próprios, o posto da Polícia Rodoviária, para melhorar o atendimento aos romeiros.
ARQUIDIOCESE
As obras da igreja incluem a reforma do Seminário Bom Jesus, que deve hospedar Bento XVI e seu séquito. Porém, essas obras são independentes do santuário. Isso acontece porque o complexo da basílica é administrado pela congregação dos padres redentoristas, e o seminário, pela arquidiocese. No caso da hospedaria papal, a reforma deve custar R$ 3 milhões e está sendo executada por uma empreiteira, com o apoio de outras empresas privadas. Essa parceria eclesial-privada foi possível por meio de Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que aceitou ser elo entre a arquidiocese e as empresas. O prefeito de Aparecida, José Luiz Rodrigues (PFL), espera gastar R$ 10 milhões com obras para acolher os romeiros. Pretende recapear todo o centro da cidade, trocar a iluminação pública, transformar as ruas do centro em calçadões, criar um reservatório de água, construir uma estrada marginal à via Dutra, erguer um novo portal turístico e colocar placas com informações turísticas.
O problema é que, até agora, ele só começou o calçadão e a avenida e ainda espera a chegada de R$ 1,2 milhão do governo federal para a iluminação. “Estou correndo atrás dos recursos, não importa de onde venham, precisamos correr”, diz o prefeito, que lamenta a falta de ajuda dos empresários. “Até agora, ninguém me ajudou. Só Deus e Nossa Senhora.”
Fonte: Estado de Minas